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domingo, 16 de novembro de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

Diario de Bordo 2012

01/06 Penetanguishene, Ontario Canada
 
Após 8 longos meses de inverno Canadense, o JADE volta a boiar nas aguas da Georgian Bay. Foi um período difícil e longo para todos nós. O Jade ficou fora d’água ao sabor do frio, da neve, dos ventos e do gelo. Graças a cobertura das lonas e da boa “winterização”, nosso barquinho superou essa longa jornada sem avarias. No ultimo dia 10, a Kika e eu, retornamos à Hindson Marina, em Penetanguishene. A temperatura ainda variava entre 5 graus Celsius de mínima e entre 15 e 20 de máxima durante os primeiros dias. Reiniciei os trabalhos de recuperação depois desta longa inatividade do JADE. Aproveitando que o barco estava no pátio, trocamos os anodos, pintamos o fundo, fizemos alguns reparos na pintura do costado, corrigimos um problema na fibra de vidro do estabilizador de boreste e, também enceramos e polimos o costado. Os tanques de água e todas as tubulações foram lavados para podermos retirar o anti-congelante, que é tóxico e não pode ser ingerido. A Denise e a Beatriz chegaram no dia 22. Neste mesmo dia, o JADE foi transferido para a água. As baterias estavam bem carregadas e os motores obedeceram o comando de partida na primeira tentativa. Aquele ronco do qual estávamos muito saudosos voltou a soar como música aos nossos ouvidos. Do dia 22 até a data de hoje, fizemos toda a limpeza interna, as coisas voltaram aos seus devidos lugares, abastecemos com suprimentos e água e assim, preparamos o JADE para essa nova temporada de aventuras que começaria dia 01 de junho. Entretanto, a meteorologia não quis colaborar e uma frente fria com muita chuva, rajadas de ventos de 40 km/h e frio durante todo o fim de semana fez com que ficássemos a espera da chegada do sol novamente. Durante nossa estada na Hindson Marina, conhecemos muias pessoas especiais e fizemos muitos amigos dentre eles, o Sérgio e a Ana (brasileiros radicados no Canadá mas que logo, logo estarão velejando também pelas praia do mundo com seu Beneteau 42). O staff da marina foi e é muito solicito, simpático e prestativo como nunca vimos em outro lugar.
 
04/06 Penetanguishene, Ontario, Canada
 
Hoje é segunda feira e o tempo ainda não está firme, apenas nublado e com temperatura por volta de 15 graus. Mas, há previsão de melhora a tarde. Despedimo-nos de todo o staff da marina e decidimos zarpar. Antes de sairmos, ainda tive que dar um pulo na Westmarine para comprar dois exaustores para a casa de máquinas, pois os nossos pararam de funcionar definitivamente. Eram 13:00hs quando pusemos os motores em aquecimento. As 13:30, soltamos os cabos e fomos saindo devagarzinho do pier da Hindson Marina. A não ser pelo staff, a marina encontrava-se vazia. Despedimo-nos dos amigos da marina durante o fim de semana. Nosso primeiro fundeio foi programado para a Beausoleil Island que fica a pouco mais de 6 milhas. Optamos por ficarmos próximos a marina a primeira noite para readaptação geral. No trajeto, quando saímos da baia de Penetanguishene, numa área mais aberta paramos o JADE e fizemos os procedimentos para aferir a bússola eletrônica. Após encontramos um desvio magnético de 3 graus fizemos o alinhamento. Quando estávamos em Kingston, antes do Trent Severn, passamos por uma área altamente magnética que deixou nossa bussola maluca. Ficou marcando quase 150 graus de diferença. Agora, os dados ficaram aferidos e compatíveis aos dados do GPS. Seguimos sem pressa até o fundeio e as 14:30 hs estávamos ancorados numa pequena e abrigada baia da Beausoleil Island. Uau!!! Como é bom voltar a navegar. Após o almoço, trocamos os exaustores da casa de máquinas. O tempo melhorou de fato e tivemos um lindo por do sol que se pôs por detrás da Ilha. A noite um filme na TV e depois dormimos ao doce balanço das águas geladas da Georgian Bay.
 
05/06 Beausoleil Island, Giorgian Bay, Canada
 
Fomos acordamos por lindos raios de sol entrando pelas vigias de nossa cabine. Como é bom ver o sol, a água, a ilha, muito verde, a natureza... Tudo isso é uma inspiração divina! Após o café da amanha pusemos nosso dinghy na água, testamos nosso novo motor de popa. Carregamos as bicicletas conosco e desembarcamos na ilha para passearmos e fazermos um pouco das trilhas. Beausoleil tem 5 milhas de comprimento por 1 milha de largura. É a maior ilha do sistema de Parques do Canadá, na Georgian Bay. Somente acessível por barco, a ilha abriga uma flora exuberante e vários tipos de animais, como ursos e a cobra rattlesnake, característica desta região. Não há ruas ou estradas. Os caminhos são apenas trilhas abertas para o passeio dos visitantes. Pedalamos durante 1 hora e meia e voltamos a bordo para almoçar. A tarde, saímos de dinghy para explorar o lado leste da ilha e o Little Dog Canal, canal muito estreito e raso que não dá para passar com o JADE. Lá se podem ver muitas casas de veraneios a qual eles chamam de “cottages”. Depois de quase 2 horas de passeio, voltamos a bordo, pois o vento começou a apertar e a baixar consideravelmente a temperatura. Abrigados a bordo, jantamos, assistimos um pouco de TV e fomos dormir cedo. Amanha, levantaremos ancora e iremos nos deslocar pelo Small Craft Canal.
 
06/06 Beausoleil Island – Indian Harbor
 
Após os preparativos, levantamos ancora as 10:00hs para seguirmos pelo Small Craft Canal. Para atravessarmos as 178 milhas de navegação da Georgian Bay, entre Penatenguishene e Killarney, ponto de entrada para o North Channel, temos duas opções: a primeira fazê-la pelo centro da baia, sem paradas e, obviamente com um olho na meteorologia para evitar surpresas, pois nesta extensa área a ação dos ventos pode trazer marolas altas e de períodos curtos, levando a uma navegação muito desconfortável. A segunda opção é seguir o Canal de pequenas embarcações (Small Craft Canal). Este canal margeia toda face norte da baia, por uma região conhecida como “30.000 Islands”. Pelo nome, pode-se imaginar a quantidade de pequenas ilhas, rochas e pedras que existem na região, além de uma infinidade de outras submersas que não são visíveis. Apesar de o canal ser demarcado por boias, qualquer desatenção pode ser fatal. Os canais, em alguns pontos são bastante estreitos e em outros muito rasos quando não os dois juntos. Mas a região parece um paraíso. O fundo é quase todo de pedras por isto o perigo. Aliás, essas pedras (granito) são reconhecidamente as pedras mais antigas da formação da face terrestre. Em muitas ilhas, sejam pequenas ou grandes, estão os “cottages”, alguns remontando sua construção aos anos de 1800, quando essa região foi “descoberta” como um paraíso para essas construções. Navegamos 16 milhas. A navegação requer muita atenção, pois além das marcações oficiais ainda existem aquelas boias colocadas pelos locais. Pode-se perceber que há muitas pedras submersas próximos da superfície e muitas não visíveis e outras visíveis a certa distancia. As águas são extremamente claras, quase transparentes, mas ainda estão muito frias para um mergulho. Depois de muita atenção nesta primeira perna, chegamos ao nosso programado fundeio. Por um canal de uns 20 metros de largura entramos num a pequena baia chamada de Indian Harbor. Um pequeno paraíso. Muito poucos cottages e um visual incrível. Jogamos ferro no centro da baia que deve ter em extensão uns 250 metros por uns 100 de largura sendo cercada de pedras e vegetação local. Depois de um bom almoço, descemos o dinghy e fomos explorar os pequeninos canais por entre as ilhas que nos cercam. Lindo, lindo! Depois de algum tempo passeando, vimos a chegada de um “thunderstorm”. Voltamos rapidinho a bordo para nos proteger da chuva e das rajadas de vento. A noite foi tranquila. O silencio só era interrompido pelo coaxar dos sapos e pelo canto de alguns grilos.
 
07/06 Indian Harbor – Shot Gun bay
 
Deixamos essa linda baia as 10:00 hs e voltamos ao Small Craft Canal. Navegamos mais 16 milhas. Nesta pernada, por várias vezes, tivemos que reduzir a velocidade ao mínimo para podermos passar entre as pedras e as boias de demarcação. Eram canais muito estreitos onde cabia o JADE e sobravam apenas alguns metros ao seu costado para passarmos. Além de estreitos também eram rasos. Passamos por um canal que tinha 1,6 metros de profundidade, num fundo de pedras. Dá arrepio só de pensar na quilha do JADE ralando por baixo. Ao redor da milha #40 de nossa rota, optamos por fazer um caminho alternativo e navegar por entre as águas do Parque National de Massausaga. É uma área muito preservada, com lindos lagos, baias fechadas e uma vegetação exuberante de pinheiros típicos do Canadá. As áreas passíveis de fundeio são demarcadas. Depois de meia hora navegando por entre essa beleza natural, chegamos a baia de Shot Gun, nosso fundeio programado. Uma pequena, abrigada e reservada baia. Não havia outras embarcações no local por isso ancoramos bem no centro da baia. Depois do almoço, um merecido descanso neste paraíso. A tarde, alguns afazeres: limpeza dos vidros, arrumar as bicicletas, lavar a proa que acumulou um pouco de lodo do ultimo fundeio, .... Ufa, a gente nunca para!!!
10/06 Echo bay, Georgian Bay, Ontario, Canada
 
Nevoa e garoa! Assim amanheceu este sábado. Mas, ouvimos a previsão pelo rádio de que a tarde abriria o sol e a temperatura subiria a quase 30 graus. Não gostamos de navegar ou mudar de fundeio em final de semana. Há muitos cruzeiristas locais navegando nos fins de semana e nem todos os comandantes são disciplinados, fazendo a navegação e os fundeios algumas vezes inconvenientes. Mas, com o tempo fechado achamos que era uma boa oportunidade arriscarmos e conhecermos outra ilha e outra baia. Navegamos por entre ilhas e pedras por pouco mais de 5 milhas e chegamos a Echo Island. Pelo centro dela, entramos num canal natural e chagamos a duas baias maravilhosas. A do norte, não comportava a entrada de barco de maior calado e por isto nem nos aventuramos. A do sul, um lindo refugio da natureza e plenamente acessível. Quando chegamos havia alguns barcos já ancorados a Mediterrâneo. Eles têm o habito de ancorar neste sistema, pois durante a temporada de verão a quantidade de barcos é grande e assim caberiam mais barcos na mesma área. Ao chegarmos, a primeira coisa que fizemos foi jogarmos ferro no centro da baia para termos tempo de mudarmos a estratégia do fundeio. Foi engraçado, pois nessa hora todos ficaram nos olhando e imaginamos que estariam pensando: quem são esses folgados que ancoraram no meio da baia? Nem era possível ficar no centro da baia ancorado, pois a baia é pequena e se assim o fizéssemos só haveria lugar para uns dois barcos menores poderem ter raio de giro. Preparamos nossos cabos, escolhemos uma parte das margens, levantamos ancora e a reposicionamos na direção da parede pedra que ficaria por detrás do JADE. Fizemos o giro, demos marcha à ré e nessa hora, uma das pessoas de um dos barcos já ancorados veio de dinghy para ajudar-nos e pegar nosso cabo de popa para amarra-lo a uma das arvores da margem. Como é uma área bem abrigada e não havia vento foi fácil posicionar nosso barco. Pela primeira vez na sua existência, o JADE estava ancorado a Mediterrâneo. Algum tempo depois chegaram nossos amigos Daniel e Angela no seu veleiro e encostaram a nosso contra bordo. Depois, eles jogaram também a ancora e posicionaram o cabo de popa deles. Os barcos ficaram estáticos. Não se movimentavam para nada. A agua da baia é transparente e permite ver o fundo nos seus 5 metros de profundidade. O fundo é de areia /lodo e não se vê uma única sujeira em toda sua extensão. Passamos o fim de semana se muito sol (a temperatura chegou a 30 graus) e arriscamos até um mergulho nas águas geladas. Passeamos de dinghy, jogamos baralho, assistimos TV, brincamos muito com a Beatriz e fizemos um almoço de domingo divino. Tínhamos arroz, feijão branco com linguiça, legumes diversos e de sobremesa, maça assada com sorvete de baunilha. Para arrematar, tomamos um cafezinho com pó trazido diretamente do Brasil. Amanha, vamos nos deslocar para Parry Island onde fica a comunidade de Parry Sound. Dizem ser esta a maior Georgian Bay.

 
11/06 Parry Sound
 
Fizemos pouco mais de 12 milhas até a chegada a Parry Sound. A baia desta área tem aproximadamente 6 milhas de extensão e na pontas norte encontra-se a comunidade de Parry Sound. Ao nos aproximarmos do pier da cidade tivemos que tomar cuidado em especial com os hidroaviões, que dividem a área com as embarcações. Eles pousam e decolam nessa mesma área como ponto de partida para passeios turísticos. Quando estávamos chegando, um deles levantou voo a pouco metros do JADE. Chamamos pelo radio o Town Dock, que é um extenso pier de concreto administrado pela cidade. Fomos atendidos pelo capitão Bob, do barco de resgate e salvatagem, que se encontra baseado no local que nos informou que os escritórios da Town Dock estavam fechados até dia 14, mas disse que poderíamos atracar o JADE no pier sem nenhum ônus, com direito a água e energia até essa data. Fizemos nossa aproximação e lá amarramos nosso barco no pier principal da cidade. Neste pier, também se encontra um enorme barco de passeio que faz excursões na Georgian Bay. Ao redor ficam várias pequenas marinas e companhia de hidro aviação que leva turistas a passear pela região. Parry Sound é uma pequena e linda cidadezinha suprida com todas as necessidades básica. Tem Hospital, biblioteca, cinema, restaurantes, cafés, supermercados, trilha de fitness, etc.
13/06 Parry Sound
 
Ventos de 40 km/h fizeram com que permanecermos atracado ao pier. Ventava tanto por bombordo (O JADE estava atracado por boreste) que nem precisaríamos de cabos para manter o Jade no pier. As nossas defensas tiveram muito trabalho suportando as 30 toneladas do nosso barco. Ele estava literalmente grudado na parede. Aproveitamos para passear, andar de bike, ir ao supermercado, ir a biblioteca municipal para usarmos a internet, atualizarmos o site e respondermos aos nossos e-mails. Também fizemos novas amizades. Conhecemos o Peter encarregado do navio-escola, a tripulação de outro veleiro e de outro trawler que estavam numa marina ali próximos e aumentamos nosso relacionamento com o Bob e a Drene, que comandam o Cambrian, barco auxiliar utilizado para socorro e salvatagem da Canadian Coat Guard. Eles nos deram varias dicas e orientações para nosso próximo trecho até Killarney.
14/06 Parry Sound – Kilcoursie Bay
 
Com a melhora dos ventos e da temperatura, deixamos o pier de Parry Sound por volta das 10hs. O objetivo era chegarmos à Regatta Bay, na Franklin Island, 18 milhas adiante. Quando estávamos na milha10, recebemos chamado pelo radio de nossos amigos Daniel e Angela que se encontravam ancorados em Kilcousie Bay, em frente ao Kilbear Park. Estavam com um problema de vazamento de óleo no motor e não daria para seguir adiante enquanto não o consertassem. Mudamos nosso rumo e fomos até eles. Fundeamos ali próximo do barco deles para espera-los. Enquanto isto, almoçamos e apreciamos a paisagem da prainha do parque. A tarde, fomos de dinghy até a margem para passearmos pelas areias de praia. Beatriz adorou fazer castelos e montar forminhas na areia. A agua estava fria e não nos atrevemos banharmos nela.
 
15/06 Kibear Park – Hopewell bay, Shawanaga Island
 
O Daniel conseguiu consertar o motor e partimos as 9:30 rumo a Franklin Island. Entravamos na Regatta bay, uma baiazinha da Franklin Island, após oito milhas navegadas. Entretanto, não ancoramos neste local. Apesar de uma linda baia ela era muito pouco profunda e chegamos a tocar a quilha no fundo. Certamente, o veleiro de nossos amigos teria dificuldade de ancorar ali. Como era cedo, optamos por navegar mais 12 milhas rumo a Shawanaga Island. A propósito, os dias agora são bem longos. Amanhece em torno das 5:30hs e anoitece ao redor das 10:00hs. Chegamos ao nosso novo fundeadouro as 13:00 hs e jogamos ferro com 4 metros de água, ao fundo da baia chamada de Hopewell. Estávamos sozinhos nessa imensidão de água, cercado por pedras de todos os lados. A tarde, fizemos um passeio de dinghy pelos canais formados entre as pedras.
17/06 Hopewell, Shawanada Island – Bying Inlet
 
Já sabíamos que nossa próxima pernada seria mais longa. Navegaríamos 31 milhas das quais, em torno de 20 milhas seriam navegadas na área aberta da Georgian Bay. Deveríamos deixar o Small Craft Canal, pois nesta região existem muitas áreas não recomendadas para embarcações de nosso porte, principalmente com o nível de água mais baixo como o deste ano. Temos acompanhado as marcas nas pedras e o nível de água chega a estar mais de 1 pé abaixo do normal. Não vamos correr o risco consciente de toparmos com esse fundo de pedras. Deslocamo-nos até a Pointe au Barril que é uma possíveis entradas balizadas da região aberta da Georgian Bay para o meio das ilhas, no Small Craft Canal, e dali seguimos noroeste, na área aberta até o balizamento do Bying Inlet. Pouco vento, sol, temperatura por volta dos 27 graus e aguas tranquilas fizeram a navegação muito confortável. Chegamos ao nosso waypoint onde estava a boia de sinalização de entrada e guinamos a boroeste rumo norte para entrarmos no inlet. Seguimos mais 7 milhas por esse rio, onde vários cottages margeiam as águas tranquilas do rio bem balizado. Telefonamos para um novo casal de amigos que nos foi apresentado pelo Bob e a Drene de Parry Sound para localizarmos com precisão o pier da casa deles. Herald e Estelle tem uma marina em Parry Sound, são amigos do Bob e da Drene e adoram receber novos amigos na casa onde moram, as margens deste rio. Eles construíram um enorme pier de mais de 60 pés no waterfront da casa, com três fingers muito confortáveis, e nos convidaram para ficar atracados nele. Ao chegarmos, fomos recebidos com muito carinho e simpaticamente com uma placa fixada ao pier escrito: Sejam Benvindos (traduzido em português). Amarramos o barco e após nos conhecermos, eles providenciaram energia, água e WIFI para o JADE. À tarde, fizemos um happy hour na varanda da casa e batemos longo papo. Eles também são navegadores e Herald é professor de navegação. Tem um trawler de 53 pés que está em reforma no momento. A Beatriz se encantou com a Estelle que além de muito simpática, carinhosa foi muito gentil e deu a ela um monte de presentes. Vimos algumas antiguidades da coleção de instrumentos de navegação que o Herald faz, incluindo um sextante, em sua caixa original datado de 1835. A meteorologia previa muita chuva e tunderstorm para a noite e para o dia de hoje. Ela não se equivocou. Havíamos combinado um almoço a bordo, mas com as chuvas e o mal tempo a Estelle optou por comermos na sala deles. Foi um almoço e uma tarde maravilhosa. Trocamos muitas experiências e aprendemos muitas coisas da região com eles. Havíamos programado seguir viagem amanha, mas o tempo não deve ajudar e ficaremos quietinhos no aconchego deste “porto” maravilhoso.

 
19/06 Bying Inlet
 
Um nevoeiro abriu o dia de ontem que permaneceu até as 10 hs da manha. O Herald não foi trabalhar para nos levar a conhecer o centro de informações do French River, que fica na margem do rio de mesmo nome. Um prédio moderno que no seu interior retrata a história dos colonizadores que saíram da baia de Nipissing nos séculos 17 e 18 e através do French river e de sua bacia trouxeram o início do desenvolvimento para a região oeste do Canadá. Exploraram as peles de animais e mais tarde a madeira. Pelo caminho, encontramos algumas placas de sinalização que chamaram nossa atenção tal como: “cuidado com os ursos, não alimente os animais”, Mas, pela primeira vez vimos uma placa que dizia: “Pare para as cobras atravessando a pista”. Algumas cobras estão em extinção e por isto a punição por caçar ou matar estes animais, principalmente a rattlesnake, pode resultar em multas de até 150 mil dólares além de 6 meses de cadeia!!! A tarde recebemos o casal anfitrião que veio conhecer o JADE e aproveitamos para fazer algumas fotos juntos. Por volta das 19:00 hs começou uma chuva pesada que se estendeu noite adentro até as 6 da manha. Depois, o céu ficou claro e sol brilhou novamente. As 7 horas a Denise saiu correndo do barco até um pier que se encontrava a uns 100 metros de onde estávamos, pois ela havia notado que o dono de uma pequena embarcação havia deixado sozinho o seu cachorro (tipo pastor alemão) dentro do barco amarrado na coleira. O cãozinho pulou na água mas como estava atado pela coleira, não conseguia nadar para sair da água e já estava começando a se afogar. Nossa heroína chegou a tempo de salvá-lo. Quando o dono apareceu, ficou consternado com o fato e depois imensamente agradecido. Ontem a noite, já havíamos nos despedido dos nossos novos amigos pois hoje eles sairiam cedo para trabalhar e nós seguiríamos viagem. As 10:00 hs soltamos os cabos do pier e seguimos rumo as Bustard Islands. O Small Craft canal tinha alguns trechos muito rasos e optamos por não correr o risco e fomos para a área aberta da Georgian Bay. Infelizmente, as marolas curtas de 1 pé de altura vinham de sudoeste e fizeram este trecho da viagem um pouco desagradável. O JADE rolava bastante uma vez que as marolas entravam pelo nosso través. Navegamos 25 milhas das quais 8 nessas condições. Depois de atingirmos nosso waypoint pré-determinado, voltamos ao Small Craft Canal pela Northeast Passage e tudo voltou a tranquilidade. Algumas milhas mais tarde entravamos no Gun Barrel Canal e ancorávamos numa paradisíaca baia do conjunto de ilhas conhecidas como Bustards. Meia hora depois de ancorarmos entrou outro tunderstorm. Finalmente o dia clareou e tivemos muito sol, águas calmas e vento zero. Pernoitamos na baiazinha conhecida como Bustard Island Harbor.

 
21/06 Bustard Islands, Georgian Bay
 
Passamos mais dois dias em Bustard Islands. Um deles por conta dos ventos de sudoeste que certamente deixariam a porção aberta da Georgian Bay com marolas altas e batendo em nosso través caso tentássemos seguir viagem. Este trecho deve ser feito na porção aberta da Georgian bay por embarcações acima de 40 pés por recomendação da própria Canadian Cost Guard. Acompanhamos diariamente o boletim do tempo pelo VHF. Na região Canadense dos Grandes Lagos, a síntese do boletim meteorológico é dado pela escala MAFOR. São cinco números que representam as 24hs do tempo. Elas são bem precisas. O único problema é conseguir anotar os números enquanto a pessoa os dita pelo VHF, pois ela o faz, as vezes muito rápido. Os números representam: a região, o numero de horas a qual corresponde a informação, a direção dos ventos, a intensidade dos ventos e as condições de visibilidade. Por exemplo, o numero 12246 deve ser interpretado como: Georgian Bay nas próximas 6 horas terá ventos leste, intensidade entre 28 e 33 nós e chuva. Seguindo, eles nos fornecem a direção das ondas, a altura, o período e se há alguma informação complementar relevante. Este sistema tem sido prático e bem preciso pelo que temos verificado durante todo este período.

 
22/06 Collins Inlet, Georgian Bay

 
Com o Boletim meteorológico favorável, ondas de oeste (que nesta próxima perna entram por nossa proa) e ventos de 15 nós, levantamos ancora e fomos para a parte aberta da Georgian Bay rumo a Collins Inlet. São 25 milhas de navegação. Reduzimos a velocidade para 5,5 nos, com a finalidade de não caturrar muito nas marolas de quase 1 metro que entravam pela proa. Fizemos uma navegação confortável até o Collins Inlet. Ao entrarmos por este canal, a calmaria foi total. Sem outra opção, tivemos que passar por um trecho de aproximadamente 100 metros que era muito raso. Pela nossa sonda havia apenas 4,5 pes de água. O JADE cala 4,2. O fundo era todo de lodo e a não ser pelo barro levantado por nossos hélices, passamos bem tranquilo para chegarmos a um desfiladeiro de pedras altas, de coloração rosada e com vegetação mais frondosa. Um cenário espetacular. A característica das pedras é a que deveremos ver no North Channel segundo os guias que temos a bordo. Ancoramos numa baia, por detrás de uma ilha formada no meio do canal. O fundeio foi em 7 pés de agua. A vista, não precisamos nem descrever, pois era excepcionalmente bonita!

 
25/06 Killarney, Ontario, Canadá

 
Passamos dois dias em Collins Inlet. Ontem, estávamos almoçando quando um pequeno trawler canadense fundeou bem próximo ao JADE. Entretanto, quando faziam a manobra, deram marcha a ré e, o cabo do dinghy que vinha amarrado na popa, entrou no hélice e travou a transmissão. Oferecemos ajuda, pois reparamos que se tratavam de dois casais de pessoas mais “maduras” e não totalmente afeitas a mecânica. Fomos o Daniel e eu para a casa de máquina alheia. O problema era simples: eles tinham um acessório de segurança entre a ponta do eixo e a transmissão do motor que é de plástico e ao esforço, se rompeu. Explicamos que deveríamos retirar os parafusos, o acessório de segurança e parafusar o prato da ponta do eixo direto no prato da transmissão. Assim, eles poderiam retornar para a marina com tranquilidade e depois solicitar ao mecânico para reinstalar um acessório de segurança novo. O capitão do trawler achou que era melhor ele ligar para o socorro e pedir para que eles fossem lá ajuda-lo. Voltamos ao nosso almoço e depois mais tarde jogamos baralho que sempre é vencido pela Denise e a Angela. Hoje pela manha, quando nos preparávamos para partir, recebemos o um pedido de nossos vizinhos para ver se poderíamos ajudá-los. Eles ligaram para o socorro e o mecânico disse que o que havíamos dito estava correto e se ele fosse atender o socorro, só poderia chegar ao final do dia e que custaria 200 dólares a hora. Levamos quase uma hora para soltar os parafusos, unir os platôs e recolocar os parafusos. Testamos o engate e tudo estava em ordem. Eles ficaram muitíssimos agradecidos e nós seguimos nosso caminho. Levantamos ancora e rumamos a Killarney. Esta é considerada a ultima parada da Georgian Bay e a porta de entrada do North Channel. Fizemos 13 milhas e atracamos no pier municipal que encontrasse arrendado a Herbert Fisheries. Eles têm uma peixaria, os barcos pesqueiros e uma lanchonete Fish & Chips. Ross, o proprietário, é cliente do Sérgio que conhecemos em de Penetanguishene. Ele nos recebeu muitíssimo bem e autorizou-nos a ficar atracado no pier dele. Forneceu-nos energia, água e nos deixou a vontade. Ainda nos presenteou com bonés e camisetas com o logo da empresa. Dali a pouco chegavam o Fred e o Bob, do trawler Penicillin, que havíamos ajudado no outro fundeio e novamente nos agradeceram muito e nos presentearam com uma geleia de blueberry e uma garrafa de wiskie. Batemos mais um papo, eles nos deram algumas sugestões de fundeios no North Channel e depois seguiram o caminho deles. Aproveitamos para dar um pulo numa marina aqui próxima para utilizar o WIFI e colocar os emails e o site em dia.

 
26/06 Killarney, Ontario, Canada


Killarney foi fundada em1820 e durante muitos anos foi um importante centro comercial da pesca. Até 1962 não havia um único acesso por via terrestre apenas pelas águas da Georgian Bay. A cidade tem uma população de 430 habitantes e hoje sua subsistência está voltada ao turismo. Durante a temporada de verão uma multidão de pessoas e barcos passam por ela. A cidade fica as margens de um canal de acesso entre a Georgian Bay e o North Channel fazendo-se quase que parada obrigatória aos cruzeiristas. Descemos as bikes e fomos passear pelo pequeno vilarejo. Ele tem várias marinas, alguns hotéis, um mercadinho, a igreja, uma loja de bebidas (LCBO), o Herbert Fisheries com o seu famoso ônibus do Fish and Chips e alguns outros restaurantes. Algumas casas e moradias espalhadas, o centro comunitário com uma nova quadra de hóquei, o centro de saúde, uma escola, um pequeno museu e a delegacia de polícia. Portanto, é possível conhecer tudo em uma meia hora. Levamos a Beatriz ao parquinho que fica ao lado do centro comunitário onde ela encontrou outras crianças e ficou brincando um bom tempo por lá. Comemos no Fish and Chips, em cujo dock estamos atracados e preparamos o barco para seguir viagem pela manha.
 
27/06 Horseshoe Island, North Channel
 
Amanheceu chovendo e uma neblina moderada. A previsão era de que duraria até umas 11 horas e depois o tempo abriria. Aguardamos a melhora, que ocorreu efetivamente nesse horário e, desatracamos do pier municipal rumo a Frazier Bay. Foram 17 milhas de navegação, com aguas calmas, sem se quer uma brisa e céu muito claro. Ao entrarmos na Frazier Bay, rumamos noroeste, em direção ao fundo da baia, onde se encontram algumas pequenas ilhas: Blueberry, Unnamed Island, Horseshoe Island etc. Escolhemos nosso fundeio na Horseshoe, assim chamada, pois tem a forma de uma ferradura. Entramos na baia e fundeamos em 9 pés de água. O fundo é de areia e a água é de uma transparência e coloração que parece uma verdadeira piscina. Estávamos sozinhos nesse fundeio pouco explorado. Descemos o dinghy e fomos explorar as outras ilhas ao redor. A paisagem difere um pouco da Georgian Bay, pois aqui as ilhas apesar de serem também formadas de pedras e rochas, são mais altas e as pedras são mais claras e bem mais rosadas. A noite foi um esplendor, o céu todo estrelado, uma temperatura agradabilíssima e apenas o ruído dos animais noturnos e das marolinhas batendo nas pedras que lembravam muito os fundeios da baia de Angra e das ilhas Caribenhas.

 
28/06 Heywood Island, North Channel

 
Quando a Beatriz viu aquela prainha na ilha, não deu mais sossego. A praia devia ter uns 30 metros de extensão por 2 de largura. Mas, para ela tudo é festa. Lá fomos nós em terra para fazer castelinho na areia, cavar buracos, fazer forminhas, brincar na água. Passamos uma manha deliciosa com ela se divertindo muito. A areia é aquela do tipo de rio, cheia de minúsculas pedrinhas. A alegria estampada no rostinho dela valeu o passeio. Voltamos a bordo e ela teve aula (iniciamos o curso a distância da Calvert School). Ela adora e a mamãe Denise não mede esforços para fazer ficar tudo interessante. A tarde, ligamos os motores, recolhemos a ancora e navegamos 8 milhas até a Heywood Island onde encontramos o Daniel e a Angela. O fundeio é bom, tanto que logo depois chegavam vários barcos. A noite, já haviam 9 barcos fundeados. A maioria seguramente se preparando para passar pela ponte de Little Current (quando você ruma oeste) que só abre de hora em hora e por 15 minutos. Se você consegue passar tudo bem, caso contrário precisa esperar mais uma hora. Em Little Current há o Town Dock onde você pode atracar gratuitamente durante o dia até as 21:00hs. Caso resolva pernoitar a taxa é de $1,75 dólares canadenses por pé com direito a água e energia. Muita gente pára aqui para se abastecer, pois no transcurso do North Channel fica difícil encontrar outros centros para tal. O nome Little Current vem porque apesar no nome Little tem uma grande correnteza fluindo as vezes para leste outras para oeste no canal onde se situa a cidade. A correnteza chega até uns 3 ou 4 nós. Assim, todo cuidado é pouco na chegada e espera para atravessar a ponte. Também tem-se que ficar atento a direção da correnteza na hora de atracar. Deve-se sempre atracar aproando contra a correnteza para não corre o risco do barco atravessar.

 
29/06 Little Current, Manitoulin Island

 
Hoje pela manha, fizemos as 7 milhas que nos separavam da ponte e chegamos pontualmente as 10:00hs, momento exato da abertura. A pernada foi punk, pois havia ventos oeste de 20 nós que levantaram marolas de quase 1 metro. Estava tudo encarneirado. Foi uma boa navegação para nós, pois as marolas entravam pela proa e ao chegarmos a ponte estava aberta. Com a correnteza contra e ao passarmos a ponte, guinamos para bombordo e encostamos no longside do pier municipal. Este pier tem aproximadamente 600 metros de extensão, feito de madeira com os postes de energia e água todos novos. Parece que esta estrutura tem aproximadamente dois anos de construção. É um lindo cartão postal da cidade de 1500 habitantes, voltada basicamente ao turismo náutico. Little Current é a verdadeira porta e garganta de entrada no North Channel para quem ruma oeste ou saída para a Georgian Bay para quem ruma leste. Conforme previsto, quase todos que estavam no fundeio de Heywood Island também se encontravam atracados aqui.
30/8 Mackinac Island a Harbor Springs, Michigan, USA

 
No dia primeiro de agosto, ao raiar do dia, deixamos para trás a baia de Mackinac Island, onde estávamos atracado, para seguirmos até a Marina Municipal de St Ignace, 4 milhas adiante. Nossa única intenção era abastecermos de combustível. Passou-se mais de ano sem encostarmos num posto. Que bom que o JADE tem máquinas bastante econômicas. Também há o fato de fazermos nossa viagem sem pressa para podermos aproveitar e conhecermos bem os lugares por onde passamos. O preço do diesel estava 3,79/galão e abastecemos com 500 galões. Agora, temos suficiente para as próximas 1000 milhas de navegação. Abastecemos e saímos de lá as 8:05hs. Logo que deixamos o St Ignace, entramos no Estreito de Mackinac por onde cruzamos sob a ponte de mesmo nome, limite oficial entre o Lago Michigan e o Lago Huron. A correnteza desta região é no sentido do Michigan para o Huron e como havia ventos oeste variando entre 7 a 8 nós, perdemos um pouco de velocidade. Mas, a navegação estava tranquila, pois como correnteza e vento estavam no mesmo sentido, não havia a formação de marolas que as vezes podem chegar a 3 metros, fazendo a travessia muito perigosa. Da ponte de Mackinac até nosso fundeio planejado em Harbor Spring temos 55 milhas de distância. Cruzamos o estreito e guinamos a bombordo. A descida foi tranquila durante as primeiras horas mas depois o vento cresceu de sudoeste e as marolas também. Mais tarde, pouco antes de entrarmos na baia de Little Traverse Bay onde fica Harbor Spring, o vento rondou para oeste e aumentou ainda um pouco mais, e daí as marolas entravam pelo traves fazendo rolar um pouco a embarcação. Ao entrarmos na baia tudo ficou melhor e seguimos até Harbor Spring aonde chegamos as 15:00 hs. A baia é funda e coalhada de poitas. O movimento, por ser verão, estava grande e havia vários barcos ancorados o que ocupava quase toda a extensão apropiada para fundeio. Também havia muitos jet skys, pranchas, pessoal esquiando, caiaques, etc. Fizemos contato com a Marina Municipal que estava lotada. A outra opção de marina estava muito cara. Optamos por fazer meia volta e como ainda era cedo, seguimos mais 15 milhas rumo sul para Charlevoix. Dessas 15 milhas, 13 foram com vento e marolas pela proa e as 2 restantes pelo través. Desconfortável!. As 17:00hs entrávamos pelo enrocamento na boca do Pine river, que dá acesso a cidade de Charlevoix. Pouco mais adiante fica uma ponte com apenas 16 pés de vão, que se abre a cada meia hora. Infelizmente, o atendente dessa ponte é muito descortês com os barcos de lazer. Se você não estiver grudado na ponte na hora em que ele abre, ele a fecha e você tem que esperar mais meia hora para passar. Foi o que aconteceu conosco. Ao entrarmos no canal, ele estava abrindo a ponte e havia um veleiro que estava passando à nossa frente. Quando faltava uns 100 metros para passarmos ele a fechou e tivemos que nos amarrar no muro do canal para esperar mais meia hora passar. Passadas meia hora, estávamos grudados à ponte esperando ela abrir. Mal ela terminou de se levantar, avançamos, pois do outo lado estava o ferry embicado para sair. O Ferry teria prioridade, mas desconfiamos que o atendente faria a mesma coisa outra vez. E foi o que fez com o barco que vinha atrás de nós e que esperou pela passagem do ferry. Conversando com pessoas locais ficamos sabendo que ele faz isso com todo mundo, menos os ferrys, é claro. Passando a ponte o rio se abre num pequeno lago, o Round lake, onde fica a marina municipal, uma área de fundeio ao lado e o centro do burburinho. Jogamos ferro, mas estava relativamente fundo (15m) e o espaço de giro pequeno. Não ficamos confortáveis nem seguros ali. Já havíamos ligado para a marina antes e sabíamos que não havia vaga disponível assim, seguimos mais adiante pelo rio que logo se abre novamente num enorme Lago, o Charlevoix. Este lago e’ muito fundo até suas margens, então seguimos duas milhas adiante e entramos numa baia chamada de Oyster bay. Lá encontramos um bom fundeio protegido de todos os ventos menos para o sul. A baia é toda circundada por propriedades particulares. Entramos dois terços adentro e encontramos 6 metros de profundidade com um fundo de lama de boa tença. Mal jogamos ferro, aparece um casal no pier particular próximos de onde estávamos e começa a gritar para sairmos de lá imediatamente. Os caras gritavam e gesticulavam agitadamente. Como não queríamos confusão, levantamos a ancora e posicionamos o Jade uns 200 metros mais adiante. Eles aparentemente se calmaram. Meia hora mais tarde, observávamos que o casal encontrava-se no jardim da casa aos berros um com o outro. Acho que eles estavam descompensados entre eles. Já eram quase 19:30hs e estávamos bem cansados pois a puxada acabou sendo de 73 milhas. Fomos dormir cedo. Durante a noite, acordamos com o vento zunindo e adivinhem, vento sul. Soltamos mais um pouco de corrente e depois fomos dormir sossegados novamente. Na manha seguinte, acordamos e tentamos outra vez a marina, sem sucesso. Como estávamos a duas milhas do centro da cidade e estava ventando bastante, ficava difícil ir de dinghy até lá. Então, a tarde, quando o vento melhorou, fomos todos no veleiro de nossos amigos Daniel e Angela e jogamos ferro lá no centrinho. Enquanto um tomava conta para evitar garrar os outros saíram para visitar a cidade. e fazer compras. As 21:30hs, voltamos a Oyster bay e dormimos mais uma noite por lá.

 
05/08 Charlevoix – Frankfort, Michigan, USA
 
Hoje dia 03, o tempo amanheceu bom e as condições de navegação estão favoráveis para prosseguirmos viagem. Para a noite e amanha a previsão meteorológica indica muita chuva. As 5:40hs deixamos o fundeio rumo ao canal de saída de Charlevoix, esperando passar pela abertura da ponte das 6:00hs. Estávamos a frente da ponte exatamente as 6:01 hs, uns 30 metros atrás de um veleiro que passou a nossa frente. Assim mesmo, não é que o infeliz do atendente fechou a ponte e nos fez esperar até as 6:30hs? O fato é que não se tem acesso ao atendente nem por rádio nem por telefone senão teríamos ditos poucas e boas. Finalmente, superado este obstáculo, saímos pela barra do Pine river e seu enrocamento para o lago Michigan. Aproamos para o sul. Com marolas de alheta, fizemos as 67 milhas até Frankfort numa bela surfada. Ao chegarmos a Frankfort, entramos pelo canal de acesso ao Betsie lake onde se encontra a marina municipal. Entramos em contato com o gerente que nos indicou a nossa vaga. A cidade fica toda a margem do lago e os barcos ficam atracados perpendiculares a margem. Ficamos bem defronte ao Parque Municipal. Belo gramado, playground para crianças e até a biblioteca municipal encontrava-se pouco mais a frente. A atracação é de proa para a margem. Assim você fica com toda a vista da rua principal da cidade pela proa e a vista do lago pela popa. Havia a opção de ancorarmos pouco adiante, mas as informações de muito vento nos fizeram tomar a decisão de ficarmos na marina (valor da diária: $ 1,50/pé, água e energia incluídas). Ventou muito. Mesmo na marina a estada foi bem balançada durante dois dias. Várias pessoas ficaram fora do barco para não marear. Apesar dos ventos, o tunderstorm anunciado não chegou até nós. Acompanhamos pelo radar meteorológico e vimos ele passando ao largo, confirmando o que observávamos no céu. O nome desta cidade adveio de um cidadão chamado Frank Martin que nos idos de 1855 construiu uma paliçada toda de madeira ao redor da sua casa para manter a neve das nevascas afastadas de suas paredes. As pessoas começaram a dizer que ali era a vila do Frank’s Fort e dali um tempo o nome da cidade ficou Frankfort. Esta cidade fez parte também do grande movimento das madeireiras da época. Vimos também as ruínas da maior fundição de ferro da região. A cidade é muito bem cuidada. É circundada por várias trilhas asfaltadas para se andar a pé ou de bicicleta. Aproveitamos bem para nos exercitar todos os dias que ali ficamos. Um dos passeios é a ida ao Crystal lake que fica afastado 7 milhas de onde estávamos. As águas do lago são de uma tonalidade de azul que é indescritível. O lago é enorme e a sua volta existem várias casas de veraneio. Dizem que Frankfort sobrevive graças as altas taxas de impostos que os proprietários dessas casas pagam. Para se ter ideia, um pequeno chalé de 30 metros quadrados paga dez mil dólares por ano. Outro passeio gostoso também é ir a cidade vizinha chamada de Elberta. Lá também tem um lindo playground e a Beatriz não perdoa nenhum. Quer conhecer e usar um pouco de todos. Os ventos sopraram forte mas, passamos momentos agradáveis. Conhecemos também muitos outros navegadores que se encontravam nesta mesma marina pelas mesmas razões. Havia pelo menos seis barcos que também estavam fazendo o Great Loop como nós. Cada um em seu tempo e a sua disponibilidade. São sempre histórias interessantes de se escutar. Aprendem-se muitas dicas e acaba-se compartilhando bastante experiência. Por portarmos a bandeira brasileira e estar tão longe de casa, acabamos sempre chamando a atenção. Em consequência sempre recebemos uma enxurrada de perguntas tradicionais. É uma grande comunidade esta de cruzeiristas.

 
12/08 Frankfort a Pentwater, Michigan, USA

 
Passamos cinco dias a espera de uma janela para descermos um pouco mais o lago Michigan. De Frankfort a Pentwater são aproximadamente 58 milhas, mas acabamos fazendo 62, pois da descida entramos na cidade de Manistee para conhecermos. Como o local do fundeio pareceu-nos um pouco desagradável, preferimos seguir viagem. Chegamos as 15:30hs na entrada do enrocamento de Pentwater. Este é um pequeno e protegido porto para cruzeiristas. Entra-se pelo canal do enrocamento até o lago de mesmo nome e pode-se ancorar em qualquer espaço livre. O fundeio é fundo (mais de 12 metros), mas de boa tença. A cidade é um pequeno resort de veraneio. Não há grandes magazines, mas há muitos cafés, restaurantes e pequenas lojas para turistas. Estramos em alerta por orientação da Coast Guard. Estão previstas marolas de até 3 metros no Lake Michigan com ventos norte de 20 a 25 nós e rajadas de 40. Ficamos sem prosseguir viagem por 4 dias. Há algumas marinas mas estavam repletas em virtude da festa de Home Coming. Estávamos bem ancorados e com bastante corrente para poder fazer o giro no fundeio. A cidade te um dinghy dock exclusivo para quem fundeia no lago e deseja descer a terra. Ontem foi o dia da festa em Pentwater. As 16:00hs houve uma parada na rua principal que durou mais de uma hora. Já pela manha, as pessoas postavam suas cadeiras nas calçadas ao longo de toda a rua principal para poder assistir ao desfile. Foi divertido. A parada culminou com a festa da Michigan State University que o ano que vem completa 100 anos de existência. Teve banda, cheer leaders, veteranos, jovens, muita cerveja. Uma farra total. A Beatriz se encantou com a banda e não queria sair de lá enquanto a banda não se dissipou. Isto foi por volta das oito da noite. Ainda a noite, houve queima de fogos que pudemos apreciar da cabine do JADE.
 
13/08 Whitehall- Montague, White Lake

 
Mar de almirante digo lago de almirante. O vento reduziu a zero. A agua do lago está um verdadeiro espelho. Fizemos a navegação de 32 milhas e fundeamos no White Lake onde fica a cidade de Montague numa margem e Whitehall na outra. Ancoramos em frente a marina municipal de Whitehall em 8 pés de água e muitas, mas muitas plantas aquáticas. A agua dentro do White lake já não é tão clara (contrariando o nome), tomando uma coloração marron típica do desague de um rio barrento. A cidade possui trilhas de bike que são extraordinariamente bem montadas e percorrem um total de 26 milhas. Uma ramificação desta trilha segue à Montague e outra à Whitehall. Durante nossa estada, pedalamos diariamente e para os dois lados. A paisagem é muito bonita e arborizada. A trilha é total e impecavelmente asfaltada. Sempre há sinalização onde houver cruzamentos como também informações de roteiros. Em frente a marina há um belo playground muito utilizado pela Beatriz. Passamos três dias no White lake e utilizamos as instalações da marina municipal para descermos em terra e deixarmos nossas bikes estacionadas. Em alguns dias receberemos a visita dos pais da Denise, por isto escolhemos a cidade de Holland para recebê-los e para onde iremos a seguir. Durante as ultimas duas manhas que ficamos no lago, amanheceu com um intenso nevoeiro onde não se enxergava nada. No terceiro dia, depois de consultar a meteorologia e verificarmos que as aguas do Michigan estariam favoráveis a nossa saída quase não o pudemos fazer devido a intensa neblina. Apenas conseguimos a façanha lá pelas 16:00 hs, mesmo assim, durante o trajeto, tivemos outro forte nevoeiro e tivemos que navegar com toda precaução e com o radar e alarmes acionados. Só assim, conseguimos chegar a Grand Haven para um pernoite. Assim nossa chegada a Holland atrasou um dia.

 
28/08 Holland, Michigan, USA

 
Holland foi fundada em 1837 por uma pequena comunidade Holandesa, daí o nome. A cidade faz parte da lista das melhores para se viver após aposentadoria. Ela margeia todo o lago de Macatawa onde quase toda sua extensão é de área residencial. O downtown fica próximo a margem sudeste, mas contrariamente a outras cidades, ela não faz frente para o lago. Tudo é bem arrumado e conservado e como não poderia deixar de ser a tulipa holandesa é a flor oficial de Holland o que da um toque especial aos jardins públicos e privados da cidade. Os pais da Denise chegaram ao anoitecer. Eles desceram no aeroporto de Chicago, alugaram um carro e dirigiram durante 3 horas até chegarem onde estávamos. Passaram uma semana a bordo. O vovô e a vovó não mediaram esforços e carinhos com a netinha. Aproveitamos muito bem a estada deles. Fomos conhecer Nelis, uma vila Holandesa. Uma graça! Um parque ao estilo que lembra a arquitetura holandesa. Também fomos visitar Saugatuck, uma pequena vila mais ao sul, pitoresca e ao estilo Embú das Artes, em São Paulo. Cheia de galerias de arte, alguns restaurantes, um lindo waterfront para o lago de mesmo nome da cidade. É muito turística e muitas pessoas vêm de Chicago e outras regiões para visitarem o local nos fins de semana, fazendo todas as lojas e lugares ficarem repletos. Outro local que visitamos foi Ada, um pequeno vilarejo ao lado da cidade de Grand Rapids onde fica a sede Mundial da Amway. Fizemos uma visita a algumas das suas instalações: fábrica, escritórios e centro de apresentação. Apenas conseguimos ver uma parte, pois a extensão dos prédios supera 1 milha. Fomos muito bem recebidos e cortejados e ao final do dia, agraciados com um jantar. Depois de uma semana, Henrique e Marlene voltaram para o Brasil. Estendemos nossa estada por mais 5 dias em função da má condição de navegabilidade nestes dias. Foi ótimo. Conhecemos muita gente na Anchorage Yacht Marina onde estávamos atracados. As pessoas são muito gentis, educadas e solicitas. Estão sempre querendo nos ajudar. Recebemos vários convites para participar de alguns dos eventos do clube. Fizemos amizade especial com um casal de brasileiros radicados a 12 anos em Holland: o Carlson, a Helena e a filhinha Grace da mesma idade da Beatriz. Elas brincaram muito no playgrond, na piscina e nas outras dependências do clube. Foi com este casal que pela primeira vez fizemos um “picnic” a moda americana nos jardins do clube com direito a carne assada e tudo mais. Foi ótimo conhece-los. Um grande sonho deles é um dia também realizar o Great Loop. Temos certeza que não vai demorar. Outro casal maravilhoso é Donna e Jim. Nós os havíamos encontrado em Mackinac Island. Eles estiveram amarrados ao nosso lado na marina de lá. Eles moram em Holland, numa linda casa a beira do lago. Numa das noites fomos convidados para jantar com eles e no domingo eles nos convidaram outra vez para o jantar de reunião de família. Eles são todos da região de Holland onde cresceram e moram até hoje. São pessoas muitos especiais também. Ficamos muito contentes com a notícia que eles nos deram: vão começar o great loop dentro de um mês. Assim, será muito grande a chance de reencontrá-los. A Beatriz agora diz que tem três vovós, pois acrescentou a Donna a lista. Eles tem 5 netinhos e além de serem muito doces tem um jeitinho especial com as crianças. E também o foram com a Beatriz. Holland foi para nós uma linda e agradável estada. Vamos sentir saudades. Apareceu a janela para seguirmos a Chicago. São 90 milhas de navegação. Temos previstos ventos de no máximo 10 nós e marolas de não mais de meio metro vindas do norte. Optamos por desatracar da marina no final do dia e ancorar na frente a ela para podermos zarpar por volta das 3 horas da manha. A vaga em que estávamos atados era um pouco difícil de manobra e preferimos fazê-lo durante o dia ainda e com a ajuda dos amigos que ficaram no pier nos acenando um adeus que certamente será um até logo. Neste caso o até logo foi bem rápido. Meia hora depois e um pouco antes do por do sol, o Carlson e a Helena vieram com a lancha deles nos convidar para irmos com eles assistir o por do sol e no caminho, na margem sul do lago, ver uma das casas dos donos da Amway. Casa não, digo mansão. Não deu tempo de assistirmos o por do sol a beira do lago Michigan, mas o passeio foi agradabilíssimo. Fomos dormir cedo. Temos uma longa viagem pela madrugada adentro.

 
29/08 Hammond, Indiana
 
As três e meia da manha, numa escuridão intensa, levantamos ancora e deixamos o lago de Macatawa rumo ao extremo sul do lago Michigan. As iluminações das marcações do lago Macatawa são excelentes. Não tivemos dificuldade para chegar ao canal de acesso as aguas do Michigan. Entretanto, o canal estava muito escuro e foi preciso a Denise ficar na proa para orientar-me na exata direção do centro do canal até a chegada a sua boca onde estavam as marcações de saída. Dali por diante foram 92 milhas até chegarmos a Hammond. A navegação foi tranquila. O lago estava com ondas de no máximo meio metro, vindas do norte, ou seja, pela popa. Devido a escuridão navegamos instrumentos (radar) até o amanhecer. Onze horas mais tarde entravamos no enrocamento da Hammond Marina, que fica no estado de Indiana, bem na fronteira com o Ilinois. Foi o tempo justo, pois apertaram o vento e as ondas. O vento chegou a 20 nós. A marina é bastante grande. Fica ao lado de um casino mas os arredores da marina fica num bairro perigoso de se andar segundo as informações das pessoas locais. Também fica a quase 18 milhas do centro de Chicago. Apesar do custo barato para nós (a promoção da marina é: fique duas noites e pague uma), 50 dólares a cada dois dias, teríamos que alugar um carro para visitarmos Chicago. Somando o combustível, o estacionamento e a própria marina chegamos a conclusão de que seria interessante aproveitar a promoção de uma outra marina, no sul de downtown de Chicago que acaba de inaugurar, chamada de 31st Street Harbor Marina (no mesmo esquema que a anterior pague uma noite e fique duas, só que ao custo é 2,5 dólares por pé a cada dois dias). Assim, pernoitamos uma noite em Hammond e saímos no dia seguinte para Chicago downtown.

 
03/09 Chicago, Illinois

 
Passamos seis dias maravilhosos conhecendo a cidade de Chicago. A cidade além de muito moderna é muito turística e acolhedora. Possui em torno de 2,8 milhões de habitantes, mais de 200 parques públicos, várias universidades, colégios, mais de 80 bibliotecas municipais, vários teatros, hospitais de primeiro escalão, porto, aeroporto, metro, transporte ferroviário e os maiores edifícios do mundo. O clima é bastante agradável nessa época e a cidade é conhecida como a “Windy City”. Está situada no sudoeste do lago Michigan e beira mais de 20 milhas de suas águas. Diga-se de passagem, as águas são limpas e transparentes, formando várias praias de areia “doce”. Toda a orla é muito arrumada com trilhas para pedestres e bicicletas. O centro financeiro é um dos maiores do mundo. Os três primeiros maiores edifícios das Américas estão em Chicago. O maior deles, que foi o maior do mundo durante muitos anos antes da construção do de Taiwan, é o Sears Tower, agora chamado de Willis Tower e tem 110 andares. Outros da lista são o Trump, o John Hancook, etc. O terceiro maior prédio das Américas fica em Nova York e é o Empire State, mas o quarto, também fica em Chicago. Poderíamos dizer que é a cidade dos arranha-céus, pois muitos edifícios tem no mínimo 50 andares. Ficamos atracados numa moderna e nova marina que foi recentemente inaugurada com capacidade para 1000 barcos. É a 31st Street Harbor Marina e fica mais ao sul da cidade (2,5 milhas do centro). Aproveitamos bem essa distância e todos os nossos passeios rumo ao centro começaram com uma boa pedalada. Conhecemos entre outros o Navy Pier, o Lincoln Zoo Park (um zoológico que fica num dos parques da cidade e tem entrada livre), o planetário, o aquário, o Field Museum (museu de história natural), o Soldier Field, estádio de futebol americano onde a estrela é o Chicago Bears, o Millenia Park, vários outros parques, pedalamos em quase toda a orla, conhecemos muitas praias. Fizemos um passeio de barco pelo rio Chicago. Este rio cruza todo o centro da cidade passando entre esses magníficos edifícios e sob lindas pontes. Enfim, Chicago é sem duvida, ao nosso ver, uma das cidades mais lindas dos Estados Unidos. No sábado passado fomos convidados para uma recepção no apartamento de um casal (Woody e Ellen) que ofereceu um jantar para alguns cruzeiristas que também estão fazendo o loop e se encontravam em Chicago nesta ocasião. Estávamos em 17 pessoas e foi muito bom ter conhecidos outros companheiros americanos na mesma empreitada. Como desfecho de nossa estada fomos ao topo do Sears Tower. No andar de numero 103 do edifício tem-se uma vista panorâmica espetacular. Além disto, tem umas sacadas totalmente blindadas de vidro onde se pode subir e tem-se a impressão de estarmos flutuando lá no alto. Como o mundo é pequeno, enquanto estávamos na fila esperando nossa vez de entrar na sacada, encontramos o Rogê e a Luiza, amigos que fizemos em Washington DC. A Luiza é filha de outro amigo, o Zé Dalton, que conhecemos em Vitória do Espírito Santo durante nossa passagem por lá. A noite, já de volta ao JADE, deixamos tudo preparado pois amanha retornaremos a Hammond Marina de onde seguiremos pelo Calumet River e deste até o rio Illinois e ao Mississipi. Teríamos a opção de seguirmos pelo rio Chicago, que também desagua no rio Illinois, indo pelo centro da cidade, mas o JADE não passaria pelos vãos das pontes que são baixas, em torno de 16 pés. O JADE precisaria de 21 para passar. É uma pena!

 
05/09 Hammond, Indiana.

 
Retornamos ontem pela manha a Hammond. Esperaremos ainda dois dias antes de partirmos, pois o JADE está sendo equipado com o AIS e o equipamento chegará pelo correio somente amanha. Antes de zarparmos vamos deixa-lo montado e funcionando. Os rios, a partir daqui, tem um tráfego comercial muito grande e o Sistema Automático de Identificação (AIS) facilita muito para saber onde eles estão e assim permitir um contato prévio via rádio para planejar as ultrapassagens. Em alguns trechos os rios são estreitos e as balsas, as vezes, ocupam toda sua extensão. Portanto, saber onde estão essas embarcações e combinar com os comandantes os procedimentos é sempre bom para evitar atropelos na hora H. Também desmontamos o arco de inox que fica sobre a targa e suporta o radar, as luzes de tope, a antena de televisão e baixamos as antenas dos rádios. Tudo isto para poder passar por sob várias das muitas pontes dos rios. Apenas uma das pontes é fixa e tem um vão livre de 19,1 pés. Com essa manobra, a altura do JADE que é normalmente 21 pés passou a 17,9. Isso nos permitirá também ganhar tempo nas pontes levadiças menores, pois não perderemos tempo esperando pela abertura delas para podermos passar. Essa noite, como estava previsto, entrou um tunderstorm. O que não contávamos era a intensidade dos ventos que vieram junto. Tivemos rajadas de 60 nós. Caíram muitas arvores dos arredores. O JADE também teve um prejuízo: numa das rajadas, o nosso toldo (que já estava velhinho, 8 anos) não suportou, rasgou-se e foi arrancado ficando inutilizado. Pela manha, depois das chuvas, retiramos os pedaços remanescentes e agora vamos viajar sem ele. Numa próxima oportunidade vamos refazê-lo.

 
07/09 Hammond (Indiana) a Joliet (Ilinois)
 
Estávamos na dúvida em iniciar a viagem pelo sistema de rios da Ilinois Waterway hoje. O tempo não estava firme e o radar meteorológico anunciava ainda bastante chuva. Acompanhamos o tempo até que vimos os cúmulus nimbus passarem ao largo e abrindo a estiagem por volta das 11 horas. Como o JADE já estava preparado e ainda havia previsão de fortes ventos e ressaca no lago Michigan para o dia de amanha, resolvemos soltar os cabos e irmos rumo ao Calumet river, o rio que precede o Ilinois que, a sua vez, é formado da junção dos dois rios, o Chicago, que passa pelo centro da cidade e o Calumet por onde navegamos. Teremos que passar por muitas pontes e logo as primeiras três pontes tinham 16,5 pés. Tivemos que solicitar a abertura delas. Para as demais pontes do Calumet não foi necessário. Planejamos navegar 45 milhas. Nesse dia, apesar de trabalhoso, devido ao tráfego dos barcos comerciais ainda passamos por 2 eclusas e sob 57 pontes. Uma das coisas diferentes que vimos no percurso foi quando avistamos os luminosos avisando que passaríamos por uma área eletrificada do canal. É um trajeto de três milhas onde não é permitido pular ou tocar na água, descer do barco ou andar de dinghy em nenhuma circunstancia. Antes de passar pela área, deve-se chamar e avisar a Coast Guard que estamos passando. Só pode passar um barco por vez. Tudo isto foi montado para evitar a subida dos peixes, as carpas asiáticas (considerado uma praga devido a sua intensa proliferação e pouco uso comercial) rumo ao lago Michigan. Chegamos a Joliet quase ao anoitecer e amarramos num “free wall” da cidade com direito inclusive a energia gratuita para o barco. Lá, já haviam parados outros dois barcos americanos que também estão fazendo o loop. Fomos dormir cedo, pois pretendemos seguir viagem ao amanhecer e fazer umas 90 a 100 milhas se possível. Planejamos fazer este trecho de maneira mais rápida por vários motivos: primeiro porque os locais de fundeio ou amarração são poucos, segundo, devido as secas deste ano, os fundeios se tornaram raros e terceiro pois não há muito lugar interessante para se ir. Estamos ansiosos para chegar ao Tennessee e ao Alabama onde dizem que é muito legal.

 
08/09 Joliet a Hannepin
 
Acordamos as 6 horas, ao primeiro sinal de luz. Ligamos para o operador de eclusa e ele nos disse que estava com uma balsa por lá e que a eclusa estaria liberado para nós as 7:30 horas. Como estávamos a apenas 2 milhas de distância dela, esperamos atracados até quinze minutos antes da hora marcada antes de nos deslocarmos para lá. Um dos trawler que estavam também amarrados ali próximos do JADE, veio atrás. Infelizmente, a operação da subida da balsa demorou muito e tivemos que esperar até as 8:30 horas para descermos a eclusa. Digo isto, pois daqui por diante estaremos descendo os rios e as eclusas. Acabamos perdendo 1 hora e meia de navegação. Pretendíamos chegar a uma marina que fica na cidadezinha de Henry. Não foi possível pois quando escureceu ainda estávamos a 5 milhas do lugar e a noite estava um breu total. Aquele atraso fez a diferença. O lugar melhor então, foi pernoitarmos atrás de uma ilha, em frente a um vilarejo chamado de Hannepin. A noite foi tranquila, sem vento, sem trafego de barcos e com apenas 2 metros de profundidade. Neste dia fizemos 72 milhas e passamos por quatro eclusas.

 
09/09 Hannepin a Sugar Creek
 
Neste dia tínhamos apenas uma eclusa pela frente e queríamos adiantar o máximo possível para chegarmos ao rio Mississipi. A navegação foi tranquila durante todo o dia. O único fato muito interessante e curioso é que fomos “atacados” por peixes quando passávamos pelo lago de Peoria. Isso mesmo, quando navegamos pelo canal, num determinado momento, ouvimos umas batidas no casco do JADE que dava a impressão de serem alguns tocos no meio do rio. Mas, olhamos e não vimos nada. Dali a pouco começou outra vez e de repente muitos peixes saltavam fora da água de todos os lados a altura surpreendente de mais de 2 metros. Eles eram de tamanhos enormes, alguns com mais de 50/60 cm de comprimento. É incrível a quantidade! Eles se lançavam e saltavam contra o casco, no costado, ou as vezes para longe. Alguns conseguiriam saltar dentro do JADE, fazendo uma barulheira enorme e deixando sangue por todo lado. Que sujeira!!!. Eram as carpas asiáticas. Não sabíamos se eram comestíveis ou não, pois ninguém por aqui falou que eram boas. Assim, acabamos jogando tudo de volta na água e não deu nem para a moqueca nem para o sushi. O espetáculo persistiu pelo dia inteiro, porém em bem menos intensidade depois. Eram 17:30 horas quando chegamos próximos de um fundeio recomendado mas como ainda estava sol forte, resolvemos continuar viagem para tentarmos chegar a Beardstown onde existe duas balsas que servem de apoio ao cruzeiristas. Lá, permitem amarrar para pernoite. Não conseguimos novamente por questão de três milhas. Escureceu e tivemos que com muito cuidado e atenção sair um pouco do canal demarcado do rio para jogarmos dois ferros e alinharmos em paralelo a margem do canal e assim evitar sermos abalroados por alguma balsa que passasse por lá a noite. Ouvindo a conversa pelo VHF no canal de tráfego comercial, escutamos o diálogo entre as balsas onde diziam que tudo estava tranquilo, salvo por um barco de recreio que estava ancorado em pleno rio. Mas também diziam que o lugar era seguro para ultrapassagem e bem sinalizado pelo nosso AIS. Assim, não ofereceríamos nenhum perigo ou transtorno a navegação deles.

 
10/09 Sugar Creek a Alton, Illinois waterway

 
Acordamos bem cedo, mas não pudemos sair antes da 8 horas. A neblina era muito intensa e não enxergávamos nem a outra margem. Quando ela dissipou seguimos adiante para fazermos as ultimas 97 milhas da Ilinois Waterways e chegarmos a Alton, já no rio Mississipi. Demos um pouco mais de motor para compensarmos o tempo perdido durante a neblina e por volta das 17:30 horas deixávamos para trás as 300 milhas do rio Ilinois e entramos no Mississipi onde o Ilinois desemboca. Descemos pelo Mississipi as primeiras 17 milhas rumo a Alton Marina onde passaremos os próximos três dias. Num deles, vamos alugar um carro para visitarmos a cidade de S. Louis, já no estado de Missouri, que fica 20 milhas mais ao sul, mas não tem nenhuma marina ou local para ancorar.

 
15/09 Alton a Eclusa de Kaskaskia
S.Louis é uma cidade na orla rio Mississipi, mas não tem infraestrutura alguma para atender aos barcos de recreio. Assim, não é possível ancorar ou atracar por lá. Alugamos um carro enquanto estávamos em Alton e rodamos 20 milhas para visita-la. O cartão postal da cidade é o Jefferson Memorial que é um grande e alto arco a beira do rio que pode ser visto desde longe. Prédios modernos, várias praças, algumas exóticas com fontes de águas coloridas, museus, grandes prédios governamentais grandes hotéis e magazines fazem parte do belo visual da cidade. Retornamos a tardezinha para Alton. A marina de Alton é moderna, bonita e o pessoal muito simpático e prestativo. Todas as estruturas dela são feitas no sistema floating, inclusive os escritórios, a piscina, os banheiros, a lavanderia etc. Isto significa que durante o período de enchentes ela sobe inteira com o nível das águas sem danificar nenhuma estrutura. Aqui até as coberturas dos galpões dos barcos sobem junto. Ontem, acordamos cedo e deixamos a marina rumo sul. A apenas duas milhas da marina fica primeira eclusa. Chegamos nela rapidamente e como nos havíamos comunicado antes de sairmos via rádio, ela já estava preparada para nossa chegada e não tivemos que esperar para o procedimento e descida. Enquanto estávamos descendo, o motor de bombordo subiu de temperatura e o alarme disparou. Ao abrir a eclusa, ligamos para o lockmaster e perguntamos se podíamos amarrar ou ancorar por ali para ver o que estava acontecendo e reparar o motor. Dada a negativa dele, demos meia volta e com um motor só, subimos a eclusa para voltamos à marina, uma vez que estávamos perto dela. Portanto em menos de 1 hora havíamos deixado a marina descido e subido a eclusa e voltado a marina agora com um só motor funcionando. Checamos o problema e vimos que o rotor da bomba d’agua estava com quebrado. Fizemos a troca e logo em seguida, ao ligar o motor de boreste o alarme soou também. Mesmo problema. Assim, troquei o rotor do outro motor também. Também o macerador do vaso sanitário travou. Tivemos que desmontá-lo e trocá-lo pelo nosso de reserva. Depois desmontamos o macerador e vimos que estava também com problema no rotorzinho. Parece que dia 14 de setembro foi dia do ROTOR. Dormimos na marina e hoje saímos cedo. Passamos pela primeira eclusa e seguimos até a segunda. Ao chegarmos nela, houve um problema nos portões dela e tivemos que ficar esperando por 3 horas até que conseguimos passar e seguir viagem até a eclusa de Kaskaskia onde, depois de autorizados pelo administrador, amarramos numa de suas paredes para pernoite. Navegamos um total de 74 milhas. Depois que passamos a segunda eclusa (Chain of the Rocks) ganhamos 3 a 4 nós de velocidade, provavelmente, pela velocidade da junção das águas do Missisipi com os do rio Missouri. Algumas horas mais tarde, soubemos que a eclusa havia sido fechada para reparos por alguns dias e que fomos os últimos a passar por ela naquela hora. Ufa!!!, demos sorte senão sabe-se lá quando ela seria liberada.

 
17/09 Kaskaskia a Grand Rivers Park Bay, Kentucky
 
Os últimos dois dias foram caracterizados por muita espera. Deixamos Kaskaskia as 6:30 horas e aproveitando a correnteza do Mississipi, chegou a quase quatro nós, rumamos em direção ao encontro deste rio com o rio Ohio. O Ohio desemboca no Mississipi a 117 milhas de distância de Kaskaskia. Afora o tráfego das balsas tudo correu normal. Navegamos pelo rio Ohio mais 20 milhas até chegarmos a eclusa 53 por voltas das 19:30 horas. Detalhe: quando navegávamos o Mississipi estávamos entre 11 e 12 nós e ao entramos no Ohio a velocidade caiu para entre 5 a 6 nós. É que no rio Ohio navegamos contra correnteza. Ele faz sua foz no Mississipi. Ao chegarmos a eclusa 53, estava escurecendo, então ancoramos para pernoite na parte de baixo da represa e esperamos até o dia seguinte para atravessarmos a eclusa. Pela manha, as 6:30 hs, ligamos para o administrador da eclusa que nos disse que passaríamos somente entre as 9 ou 10 horas da manha. Para nossa felicidade, as 7:30 horas ele nos chamou no rádio e liberou a subida na eclusa (agora as eclusas são de subida tanto no rio Ohio e como no Tennessee). Tínhamos mais 30 milhas pelo rio Ohio até Paducah, já no estado de Kentucky, e ainda a eclusa 52 para passar. Ao chegarmos à eclusa, o tráfego de balsas estava pesado e tivemos que esperar cerca de 2 horas e meia para entrar. Ainda, atrasamos mais meia hora, pois justamente quando estávamos para entrar o administrador recebeu um chamado do barco da Cost Guard. Como eles tem prioridade, passaram a nossa frente. A sorte era que o barco deles não era muito grande e entramos juntos na bacia de subida. Apesar da velocidade reduzida em função da correnteza contra ainda estávamos com tempo para entrar no rio Tennessee e seguir as 20 milhas restantes até a eclusa que leva ao lago Kentucky, próximos da Green Turtle Bay onde passaríamos atracados alguns dias. Eram apenas 13:30 horas quando passávamos por Paducah e entravamos no rio Tennessee. Ligamos para o administrador da eclusa e ele nos havia dito que não havia tráfego e só era esperado uma única balsa, portanto poderíamos seguir adiante tranquilos. Ao chegarmos próximos da eclusa, encontramos a balsa que estava também vindo. Como eles tem prioridade, entraram primeiro na bacia. Nosso azar foi que a balsa era muito longa e não cabia na bacia de uma só vez. A manobra de subida deles acabou levando muito tempo e nós ficamos esperando por quase 5 horas para subirmos. Já era tarde da noite, quase dez horas, quando passamos a eclusa. Devido ao desconhecimento local e a escuridão, procuramos um lugarzinho fora do canal demarcado logo depois de sairmos da eclusa para pernoitarmos ancorados. Estávamos muito próximos da marina, mas como não a conhecíamos e não havia ninguém lá para nos orientar na chegada, achamos mais prudente ficar ancorados a noite e no dia seguinte seguirmos com calma. 
               
18/09 Grand Rivers State Park a Green Turtle Bay.

 
A noite entrou um forte vento de norte, único local desprotegido desta ancoragem e por isto balançamos bastante no fundeio. Pela manha, a luz do dia, levantamos ancora e seguimos as 3 milhas restantes para a Green Turtle Bay Marina. Fomos recebidos excepcionalmente bem pelo staff que nos indicou e ajudou a amarrar o JADE no pier. A marina ocupa uma grande área e é um resort conceituado na região. Tem piscinas abertas e também cobertas, quadras de tênis, play-ground, praia particular, restaurantes, serviços de spa e beleza, lojas, área de serviços de barco, loja de produtos náuticos, vários apartamentos tipo condos, carrinho de golf para alugar, carro de cortesia para os ocupantes da marina, etc. É um refúgio muito agradável, tranquilo e bonito. Vamos passar uma semana por aqui, para podermos comemorar o aniversário da Denise no dia 26 e depois seguir viagem rumo sul pelo rio Tennessee.

 
28/09 Grand Rivers, Kentucky

 
Passamos 10 agradáveis dias na Green Turtle Marina. Fizemos amigos especiais entre o pessoal da marina. O Bill, o Cap, a Carol foram todos de uma gentileza excepcional. Conhecemos a noiva do Cap, Tracy, e eles nos presentearam com alguns produtos típicos do Kentucky além da Tracy ter dado vários livrinhos e canetas para a Beatriz treinar caligrafia. Estreitamos amizade também com vários loopers (assim são chamadas as pessoas que fazem o great loop) e conhecemos outros tantos que não havíamos visto ainda. Em função das condições climáticas, o planejamento e estratégia que tem-se que adotar faz com que a maioria dos loopers acabe se concentrando em determinadas trechos. Nesta época, pós verão, os que estavam mais ao norte, no Canadá e nos Grandes Lagos dirigem-se ao sul para fugir da temporada gélida do inverno. Mas, ao mesmo tempo, não se pode chegar no Golfo ainda pois a temporada dos furacões está ativa e só termina em novembro. Por isto, neste período, muitos ficam neste trecho que vai do Kentucky ao norte do Alabama aproveitando para conhecer as muitas baias e ancoragens do rio Tennessee. No final de outubro haverá um encontro tipo seminário, promovido pela Associação dos Loopers, no norte do Alabama. Esse encontro será numa da marina-resort do rio Tennessee de onde depois há, praticamente, uma flotilha que ruma para a sul, através do TenTombigbee Canal (que conecta o rio Tennessee ao Tombigbee) donde se segue até Mobile, na costa do Golfo e dali à Florida. Muitos passam o inverno no sul da Florida e aproveitam o calorzinho do sul dos Estados Unidos.
Deixamos a Green Turtle Marina, emocionados com as lindas palavras que recebemos das pessoas que fizemos amizades e rumamos sul para ancorar na primeira das baias das quais iremos conhecer chamada de Pisgaw Bay. Ali havia uma pedreira antes de ser inundada pelas águas que subiram em função do represamento da eclusa dos rios Cumberland e Tennessee. Curiosamente podem ser vistos muitos grafites nos paredões de pedras acima do nível da água. Há de se ressaltar que em mais de 4000 milhas navegadas foi o primeiro e único lugar que vimos alguma “parede” grafitada. Boa parte dessas baias que vamos visitar nos próximos dias estão situadas nas “terras entre os rios”, diga-se de passagem, a maior península de agua doce dos Estados Unidos, formada entre os rios Tennessee e Cumberland. As terras desta península foram declaradas federais e não se pode construir casas, de maneira que as baias são parques e reservas de matas naturais e muita fauna local pode ser vista como passarinhos, águias, corujas, peixes, veados, castores, etc. Navegamos as primeira oito milhas e fundeamos próximos a uma das margens dentro de uma pequena enseada da baia sul de Pisgaw bay. O JADE agora está equipado também com sistema localizador Spot Connect o que permite as pessoas acompanharem a posição que nos encontramos em tempo real. Preparamos o dinghy. Amanha cedo vamos visitar as ruínas da pedreira.

 
30/09 Duncan Bay, rio Tennesee, Kentucky
 
Ontem pela manha, passeamos de dinghy pela baia de Pisgaw e fomos até a pedreira. Ao entrarmos, vimos uma linda baia cercada de pedras nitidamente recortadas e todas grafitadas. Fizemos algumas fotos demos uma volta e voltamos ao JADE para levantar ancora e seguirmos à próxima baia. Navegamos cinco milhas e entramos em Duncan Bay. Seguimos pelo canal principal e ao fundo da baia no lado sul, entramos num saco bem abrigado dos ventos e ancoramos em 2,5 metros de profundidade. Essa baia é considerada santuário ecológico onde um número grande de águias fazem seus ninhos. No período de novembro a março é proibido entrar nesta baia em função de preservação das espécies. Próximos a onde fundeamos estavam nossos amigos Daniel e a Angela e outro casal o Bob e a Madeleine que conhecemos na marina. Ontem, no final da tarde nos reunimos todos no jardim de popa do JADE e ficamos batendo papo até anoitecer.

 
02/10 Duncan Bay, rio Tennessee, Kentucky
 
O Bob e a Madeleine levantaram ancora ontem pela manha e seguiram viagem. O Daniel e a Angela vieram ao JADE para nosso tradicional almoço de domingo e ultimo deste ano juntos. Esta semana, eles deixarão o veleiro deles numa marina aqui próximo e retornam ao Brasil. Só voltarão aos States dentro de pouco mais de um ano. A noite jogamos a saideira do carteado. As mulheres deram uma “surra” tão grande nos homens que quase perdemos o “rumo”. Choveu a madrugada inteira e hoje o dia todo. Assim, nossos afazeres ficaram limitados a coisas internas do barco. A Beatriz teve aula, pusemos o diário em dia, baixamos as fotos no computador, fizemos limpeza, assistimos a uns filminhos... As vezes é gostoso ficar preguiçando um pouco, vendo e ouvindo a chuva lá fora caindo. A mata ao nosso redor fica mais verde onde há verde e mais amarela, laranja e avermelhada onde as folhas começam já tomam a coloração de outono. Lindo!!!

 
0310 Sugar Bay – Ginger Bay

 
Deixamos o fundeio e seguimos o rio Teneessee mais 3 milhas. Ancoramos na Sugar Bay. Entramos baia adentro e seguimos até a ultima enseada do lado sul. Logo depois de passarmos pela entrada vimos que ela se divide em dois ramos. Optamos pelo da esquerda de quem chega e ancoramos com 2,5 metros de profundidade. O solo é de argila e JADE ficou bem unhado. O tempo ainda estava bastante nublado e uma garoa fina pairava no ar. No inicio da noite o tempo clareou e as nuvens desaparecem. As estrelas tomaram conta deste recanto onde só se ouvia os ruídos dos animais da noite e da pequena brisa que ainda soprava. Pela manha, com um lindo raiar de sol, pudemos abrir todo o barco para ventilar e saímos para passear de dinghy. Ao fundo da outra enseada há um boat ramp onde os pescadores descem suas lanchinhas para pescar. Descemos lá e aproveitamos para deixar nosso lixo na lixeira pública. Depois de voltarmos ao barco apareceu o Loop Kiwi, o trawler dos nossos amigos neozelandeses Phil e Carolyn. Eles ancoraram ao nosso lado. E passaram a noite por lá também.

 
04/10 Ginger bay
 
Dezessete milhas adiante estávamos em Ginger bay. São tantas as possibilidades de fundeio nesta área que precisamos optar apenas por algumas, pois não haveria tempo hábil para passear em todas. Uma é mais agradável e linda que a outra. No caminho visitamos algumas e escolhemos a Ginger Bay. Que linda e calma baia. Daria para ficar uma eternidade de tão gostoso, mas... Os nossos amigos neozelandeses vieram atrás de nós e também ancoraram aqui. Passamos a tarde papeando na popa do JADE e depois fomos jantar a bordo do Loop Kiwi. Depois de uma noite agradável fomos dormir ao som na vida selvagem, de um luar lindo e céu todo estrelado.

 
06/10 Paris Landing State Park

 
De Ginger Bay fomos para Paris Landing State Park e optamos por ficar na marina do parque. O preço era muito convidativo, $0,50 de dólar por pé por dia. O local é um belo parque servido por um resort que fica a uns 800 metros da marina. A marina tem excelente docks com a energia e a água inclusa no preço. Os docks são flutuantes. O staff reduzido não é muito comunicativo. Quando chegamos o Phil e a Carolyn estavam nos esperando para ajudar a amarrar o JADE. Depois de tudo ligado fomos dar uma volta de bicicleta para reconhecer o parque. Quando voltamos deixamos as bicicletas e o trailerzinho, que fica acoplado a minha bike, na passarela do pier em frente ao JADE. Quando foi a noite, entraram fortes rajadas vento, seguido de um daqueles temporais enormes. Não deu tempo de recolher as bicicletas. Quando sai para recolhe-las so vi a Bike da Denise por lá. Logo imaginamos que lá se foi o trailer e minha bike para o fundo da água bem na frente do JADE. Olhei as bikes do Loop Kiwi e elas também tinham desaparecido. Quando a chuva diminuiu o Phil veio ao Jade perguntar se havíamos visto as bikes e demos muita risada juntos. No outro dia pela manha, estávamos pescando as bikes do fundo da água com dois crockes emendados. Ainda bem que só tinha 2 metros de profundidade onde estávamos atracados. Logo seguido ao resgate foi a sessão de lavar as bikes. E não é que quando comecei a lavar o trailerzinho da Beatriz encontrei um peixe dentro dele!!!. Parece até estória de pescador... Passamos o dia na marina, pois ainda estava previsto chuva afora a temperatura que baixou para 7 graus. Ninguém ousou deixar o pier e os aquecedores estavam a todo o vapor.

 
16/10 Rio Tennessee, Tennessee e Alabama

 
Há uma infinidade de possíveis fundeios no rio Tennessee. Um mais lindo e agradável que o outro. Entretanto é impossível visitar todas as baías e enseadas. O rio Tennessee tem paisagens espetaculares. Estamos navegando contra corrente que em alguns trechos chegou a 3 nós, principalmente quando nos aproximamos da eclusa de Pickwick. Optamos por pernoitar em alguns dos fundeios os quais descrevemos adiante.
Dia 07 navegamos 14 milhas e fundeamos no Little Crooked Creek, milha 83,8 do rio Tennessee. Uma enseada profunda no rio Tennessee. Fácil acesso pelo centro do canal de entrada. Fundeio em 4 metros de profundidade em solo de boa tença
Dia 08 navegamos 29 milhas e atracamos em Pebble Isle Marina que fica na milha 96,1, entrando numa baia com canal de acesso bem demarcado. A marina tem custo de 1 dolar por pé por dia com agua e eletricidade incluída. Tem carro de cortesia disponível para compras. Fomos ao Wal-Mart, que fica a 11 milhas da marina, para reabastecimento de nossos estoques. No dia seguinte, alugamos um carro, numa cidade próxima (Camden) e rodamos 80 milhas para visitar Nashville, a cidade mais country dos USA. A rua principal, chamada Broadway, é coalhada de lojas, restaurantes e barzinhos onde cada um tem seu conjunto musical tocando musica country praticamente o dia inteiro. Na rua também alguns solitários se aventuram e cantam e tocam seus instrumentos para colher algumas doações.
Dia 10 navegamos 29 milhas e entramos no Lick Creek, milha 127,8. O canal de acesso é estreito, porém fundo (6 metros). Chega-se a uma baia onde se pode fundear em 3 metros de profundidade em fundo de lama de boa tença. Estávamos ancorados com mais 3 barcos de loopers. Neste fundeio, deve-se tomar cuidado para não se chegar depois das 4 horas, pois o sol se põe exatamente na direção de entrada do canal deixando praticamente sem visão para poder se manobrar no estreito canal. Todo cuidado é pouco ,pois as margens são de pedra.
Dia 11 navegamos 37 milhas e fundeamos por detrás da Swallow Bluff Island, milha 169,3. Bom fundeio, em 10 metros de profundidade, mas a correnteza do rio se faz sentir. Choveu a noite toda. Nossos amigos Phil e Carolyn vieram comer uma pizza a bordo do JADE.
Dia 12 navegamos 38 milhas e fundeamos em Dry Creek, na milha 211. Antes disso, passamos por algumas pequenas baias que ficam na margem norte do rio. Apesar do possível fundeio em cada uma delas, não ancoramos por lá, pois elas são cheias de casas as suas margens. Na milha 206 subimos a eclusa Pickwick. Nossos amigos do Loop Kiwi entraram no Ten-Tombigbee canal que fica na milha 215 enquanto nós seguimos rio Tennessee adiante.
Dia 13 navegamos 12 milhas e fundeamos em Union Hollow, milha 222, uma baia na margem norte do rio Tennessee. Deixamos o Estado do Tennessee e entramos no Alabama. A baia é relativamente estreita e funda semelhante ao dedo de luva. Cercada de mata em todo o seu redor, pode-se ouvir os coiotes uivando e uma infinidade de passarinhos cantando. A noite entrou um vento sul de 15/20 nós, única abertura desabrigada deste local. O ferro estava bem unhado e afora o barulho da corrente esticando e estalando, o Jade ficou estável. Mas, pelas dúvidas, deixamos o alarme de fundeio ligado.
Dia 14 navegamos mais 40 milhas. Atravessamos um tunderstorm no meio do caminho. Tudo correu bem. Na milha 259 passamos pela Eclusa Wilson, a terceira mais alta do mundo e a segunda dos Estados Unidos, segundo a informação do gerente de operações. Tem 98 pés de deslocamento. Ainda estamos subindo o rio, portanto a eclusa nos fez subir esse tanto para chegarmos à represa Wilson. Seguimos algumas milhas adiante e fundeamos na milha268, numa baia chamada de Carter Branch, na margem sul. Viemos até o fundo da baia para ficarmos mais abrigado dos ventos de sul que continuavam soprando forte. O JADE ficou estavelmente unhado.
Dia 15 navegamos mais 10 milhas e chegamos a Joe Wheeler Park onde fica a marina de mesmo nome. De Carter Branch navegamos seis milhas e subimos a eclusa Wheeler. Duas milhas depois estávamos no local programado para o evento da Associação Americana dos Cruzeiristas do Great Loop. Passaremos uma semana na marina para participarmos do evento e retornaremos daqui (milha 278) para a milha 215 onde fica a entrada do Ten-TomBigbee canal que nos levará a Mobile as margens do Golfo do México.

 
25/10 Joe Wheeler Park Marina

 
O Encontro da American Great Loop Association foi muito bom. As palestras foram de bom nível. O entrosamento com os participantes foi melhor ainda. Estavam presentes vários loopers que estão em curso, outros muitos que ainda estão em planejamento para os próximos anos e alguns que já completaram a volta. Havia mais de 50 barcos e mais de 250 pessoas no evento. Valeu a pena, fizemos muitas amizades e conhecimentos e já marcamos de nos encontrar novamente com vários deles pelo caminho. Hoje, deixamos a marina após o almoço e conseguimos passar pela primeira eclusa sem ter muita espera. Como saímos depois das três horas e havia uma balsa chegando na eclusa seguinte que fica a 11 milhas adiante, para evitar ficarmos parado 2 ou 3 horas esperando, resolvemos ancorar na milha 268, no mesmo lugar que ficamos na vinda.

 
31/10 TenTombigbee Canal
 
Segue o resumo dos dias navegados:
Dia 26 Levantamos ancora as 6:30 e trinta minutos após descíamos a Wilson lock, na milha 260. Seguimos até a milha 215, entrada do Ten-Tombigbee canal e paramos na Gran Harbor Marina, que fica logo na entrada do canal. Pusemos mais 760 litros de diesel e ficamos atracados na marina, pois está soprando um forte vento de norte e está muito frio (3 graus Celsius). Amanha vamos visitar Shillow Fields, um dos campos de batalha mais sangrentos da Guerra Civil de 1862, onde 24000 pessoas perderam a vida.
Dia 28 após duas noites na marina, desatracamos por volta das 9 horas da manha com mais 9 barcos e saímos todos juntos. Formaram-se duas flotilhas: uma dos barcos mais velozes e outros mais lentos. Os mais lentos navegavam na base de 6 nós e os mais rápidos 10. Inicialmente seguimos a frente dos mais lentos que acabaram ancorando à tarde na milha 414 para pernoite. Como ainda era cedo (15:00 hs), optamos por seguir em frente. Acabamos atravessando 4 eclusas neste dia e chegamos na milha 376,2 em Smithville, onde ancoramos para pernoite. No momento em que jogávamos o ferro, o motor de BB aqueceu. Como já era 19:30 hs e a sala de máquinas estava muito quente optei para deixar para a manha seguinte a análise do ocorrido. Mas, tinha certeza tratar-se do rotor da bomba d’água.
Dia 29 Acordamos as 6:30 horas da manha e fizemos a troca do rotor. A temperatura externa estava 1 grau Celcius e um vento geladíssimo. Estávamos ao lado da próxima eclusa e depois de fazermos contato com o administrador, ele nos autorizou entrar as 7:30 hs para descermos os 25 pés. Seguimos em frente e já na terceira eclusa que fica 20 milhas adiante, tínhamos a companhia dos 4 barcos da flotilha mais rápida que haviam pernoitado numa marina uma eclusa antes de nosso ultimo fundeio. Neste dia fizemos três eclusas e chegamos à porta da quarta onde ao lado fica a Columbus Marina, milha 335. Chegamos todos os cinco barcos juntos, mas o JADE foi o último. Ficamos para pernoitar na marina. Estava muito frio e um vento de 20 nós o que deixava a sensação térmica muito baixa. Os termômetros marcavam 7 graus, mas a sensação era de 3. Neste dia navegamos 37 milhas.
Dia 31. Ontem visitamos a cidade de Columbus que foi a cidade-hospital durante a guerra civil. Há um bairro onde as casas são moradias datadas do inicio de 1800, portanto pré-guerra. Verdadeiras mansões espetacularmente conservadas e utilizadas por seus proprietários até os dias de hoje. Hoje, deixamos a marina cedo e passamos a primeira eclusa as 9:00 hs juntos com nossos amigos do Loop Kiwi que voltamos a reencontrar nesta marina. Eles não participaram do evento no Joe Wheeler e tinham passado uns dias em outros fundeios aguardando nossa chegada. Navegamos 58 milhas e chegamos a Sumpter Recreation Area na milha 269,9. A entrada da pequena baia é bastante rasa. Durante uns 50 metros estávamos com 5 a 6 pés de profundidade mas uma vez dentro tínhamos entre 12 e 15. A baia apesar de pequena é muito linda, cercada de mata natural em toda sua volta. A noite, com o luar de lua cheia foi especial.
Dia 01 de novembro, acordamos cedo e chamamos pela eclusa que nos informou que demoraria uma hora para podermos passar. Como estava ainda com bastante neblina, esperamos mais meia hora e depois subimos ferro e devagarzinho fomos em direção a ela que fica 3 milhas adiante. Navegamos 57 milhas e chegamos a Demópolis. Pernoitamos na marina a base de 1,25 dólares por pé. A marina tem a disposição carro de cortesia e carrinhos de golfe para podermos transladar de uma área para outra. São duas marina vizinhas de um mesmo proprietário e pode-se transitar livremente entre elas. Amanha vamos visitar a cidade, fazer umas pequenas comprinhas e no dia seguinte seguiremos viagem.


05/11 Mobile, Alabama
 

Duas milhas antes de Demopolis, o rio Black Warrior se junta ao Canal TenTombigbee. A partir de então, termina o Canal TenTom para iniciar o rio Tombigbee. Este por sua vez segue até a milha 45 quando recebe o rio Alabama e passa a se chamar rio Mobile indo desaguar no Golfo do México.

Dia 3 deixamos a marina pela manha e paramos para abastecer com mais 400 litros de diesel. Temos abastecido pouco e com frequência só para irmos completando os tanques e garantirmos os melhores preços do diesel. Passamos pela única eclusa do dia ao deixarmos o posto de combustível. Depois, seguimos mais 70 milhas até nosso fundeio na milha 145, Bashi Creek. Um pequeno, estreito e raso riacho para a entrada do Loopy Kiwi e do JADE. O canal tem no máximo 20 metros de largura e foi apenas o suficiente para girar o barco no próprio eixo, pois o JADE, com o dinghy atrás, chega a 18 metros. A noite foi supertranquila com aquele lindo luar, noite estrelada e os vários grilos, sapos, corujas e outros a embalar nosso sono.

Dia 4 levantamos uma hora mais cedo, pois o relógio mudou para o horário de inverno. Levantamos as duas ancoras, pois pusemos uma na popa também para evitar do JADE encalhar na margem do riacho. Esperamos o Echo sair, um pequeno trawler que ancorou a nossa frente bem na boca do riacho. Não daria para passarmos enquanto ele estivesse parado na nossa frente. Seguimos por mais 81 milhas até chegarmos a Three Rivers, na milha 64. Outro riacho estreito e raso. O Echo ficou para trás e ancorou na milha 100 enquanto o Loopy Kiwi e nós ancoramos ali. Hoje passamos pela ultima eclusa rumo ao Golfo e, a partir daqui, as aguas se tornam salobras. Depois de mais de 1 ano em agua doce, voltamos as aguas salgadas. Também agora estamos sob a influencia de mares e onde ficamos ancorados já tem uma diferença de 1 pé entre a máxima e a mínima, resultabdo em uma correnteza a favor ou contra de quase 1 nó. Chegamos as 16:30hs e quarenta minutos depois já estava totalmente escuro, pois o por do sol foi as 17:03 hs.

Dia 5 saímos cedo para nossas ultimas 64 milhas até chegarmos ao mar do Golfo do México. Com a correnteza a favor, pois o rio estava vazando, ganhamos 1 nó de velocidade e navegávamos em velocidade de cruzeiro econômico de quase 9 nós. A navegação foi tranquila. Chegamos a Mobile por volta da 14:30 mas ainda tivemos que seguir 10 milhas adiante em direção ao mar para chegarmos a um canal estreito ainda na baia de Mobile que dá acesso a Turner Marina. Pernoitaremos os próximos dias na marina. Agora falta pouco para fecharmos o circuito completo do Great Loop, mas para isso precisamos retornar a Florida, ou seja, navegarmos para leste. Entretanto, 140 milhas a oeste fica New Orleans e estamos inclinados a fazermos um pequeno desvio para visitar tão famoso lugar. Amanha faremos a troca de filtros e óleo dos motores e do gerador, antes de qualquer coisa. Não podemos nunca descuidar da manutenção de nossas máquinas, coração de nossa embarcação.

09/11 Mobile a New Orleans


Terminamos a manutenção dos motores do JADE anteontem e tomamos a decisão de conhecer New Orleans. Aproveitamos uma janela de tempo e ontem as 6:30hs deixamos a marina. Descemos o restante da baia de Mobile que perfazem 15 milhas e, já próximos à orla, rumamos a oeste. O mar estava tranquilo com marolas de um pé e ventos de sete nós ambos de leste. Isso fez nossa viagem bem tranquila. Navegamos 80 milhas e jogamos ferro as 17:00 hs no exato momento quando o sol se punha. Estávamos próximos a Cat Island que dista 10 milhas da costa. A cor do céu era mágica, com o sol se pondo ao longe encontrando o mar na linha do horizonte. Amanha faremos as restantes 50 milhas. Pretendemos sair cedo, pois queremos chegar na hora do almoço para comemorar o aniversario da Beatriz que completa 4 aninhos.

11/11 New Orleans


Chegamos a New Orleans depois de passar pela obra monumental do muro e portões de contenção de água que foi feito na entrada da baia do Mississipi. São quilômetros de uma estrutura que lembra a “muralha da China”, sem a s devidas comparações. Seguimos pela ICW (intercoastal waterway) até chegarmos ao canal de acesso ao Lago Pontchartrain. A Marina fica situada neste canal. A marina em si é pequena, mas o local é enorme pois é um parque para motor homes e, haviam muitos por lá. A tarde, os amigos do Loopy Kiwi (Phil e Carolyn) e do Betty L (Bob e Madeline), vieram para comemorar o niver da Beatriz. Teve bolo, torta, pipoca, pizza, brigadeiro e até beijinho. A Denise está uma cozinheira de mão cheia. O barco estava enfeitado com bexigas e faixas de feliz aniversário. A Beatriz adorou e ganhou um monte de presentes, inclusive de outros barcos amigos que fizeram chegar alguns deles com o Bob e a Madeline. O Phil tocou violão e foi uma tarde bem especial. Cantamos o parabéns também para a Carolyn que faz aniversário dia 13. A Denise fez até um outro bolo só para ela.

12/11New Orleans

As dez da manha, fomos com o Shuttle da marina ao French Quarter que fica uns 15 minutos de onde estávamos. Lá contratamos um city-tour com direito a conhecer as áreas que foram inundadas pelo furacão Katrina. O passeio durou cerca de 2 horas e meia. Na volta, caminhamos um pouco pelo French Quarter e depois almoçamos num restaurante-café típico. Ficamos mais um pouco passeando por lá e retornamos a tardezinha ao JADE. Hoje amanheceu chovendo, com rajadas de ventos de 30 nós e frio. Resolvemos ficar a bordo e colocar as coisas em dia. Amanha voltaremos a cidade. As áreas inundadas, o que representa 80% da cidade estão praticamente todas recuperadas. O principal ponto turístico que é o French Quarter lembra um pouco S.Luis do Maranhão, e também algo de Parati e Salvador. A diferença: o Brasil é muito mais bonito e típico. Talvez, New Orleans seja a cidade mais suja dos Estados Unidos pela qual passamos. Entretanto, a noite é fenomenal. Com muitos barzinhos, musica e comida da melhor qualidade. Isto funciona a noite toda. Muitas casas só abrem depois da meia noite e vão até o café da manha. Eles são imbatíveis no que se refere a entretenimento noturno.

13/11 New Orleans


Ontem foi impossível deixarmos a marina. Com ventos de 30 nós, ficamos literalmente grudados no pier. Também a previsão do mar na costa era de ondas altas de mais de 1,5 metros. Entretanto, abriu-se uma janela de três dias. Os ventos caíram para em torno de 11/12 nós vindos de nordeste. A previsão de ondas era de em torno de 0,5 metros. Decidimos zarpar. A previsão estava absolutamente correta. A navegação foi confortável com correnteza a favor, ventos e mar de nordeste na bochecha de bombordo do JADE. Chegamos a Cat Island as 17:00 hs e jogamos ferro na ponta leste da ilha para o pernoite. Amanha sairemos cedo para completar mais 80 milhas r chegarmos novamente a Mobile.

Dia14, amanhecemos com ventos de 30 nós e ondas de 1 a 1,5 metros. Puxamos ancora as 6:00 hs da manha e deixamos o fundeio parcialmente protegido rumo a Mobile. Nossa previsão se concretizou e o mar melhorou depois do meio dia. Assim mesmo com correnteza contra conseguimos chegamos a Turner Marina ainda com luz do dia as 16:30hs (escurece as 17:00).

Dia 15 nosso novo toldo foi reinstalado. Ficou muito bom e o JADE voltou a ter o mesmo visual de sempre. Tivemos que trocar um dos sensores de pressão de água do gerador, pois estava com vazamento de água, bem como trocamos o filtro de óleo pois o anterior era muito grande e o sistema eletrônico do gerador estava acusando a falha e ele estava apagando sozinho a cada meia hora de uso. Agora tudo voltou a normalidade. Lavamos o JADE para tirar um pouco da água salgada da navegada anterior uma vez que o splash de água salgada foi grande e que com o vento molhou todo o barco. Agora com tudo preparado, demos um pulo no mercado para reabastecimento de legumes e frutas frescas. Amanha partiremos rumo a Florida.

24/11 Tampa, Florida

Chegamos à Tampa depois de fazermos a travessia do Golfo entre Carabelle e St Petersburg. A viagem durou 23 horas e navegamos 200 milhas a média de 8,5 nós. Consumimos 420 litros de diesel. A direção dos ventos e do mar foi norte durante todo o percurso diurno e noroeste o período noturno, ou seja, empurravam o JADE pela popa. Agora que estamos instalados em uma marina de trabalho, passaremos 1 mês nela para reparo e revisão geral inclusive mais uma mão de pintura anti-craca no fundo. Aproveitaremos para ir visitar a Disney e arredores e depois do ano novo seguiremos viagem. Cruzaremos pelo lago Ocktchoobee da costa oeste para o leste da Florida em direção ao Atlântico. Ao chegarmos do outro lado, na ICW, teremos completado de forma inédita para um barco brasileiro e sua tripulação, o GREAT LOOP. De lá, esperaremos uma boa janela e atravessaremos para Bahamas. Mas isto será história mais adiante. Segue abaixo o resumo do nosso deslocamento de Mobile até o momento presente:

Dia 17 após a melhora do tempo, deixamos a Turner Marina rumo ao sul da baia de Mobile para retomarmos a Intrawaterway do Golfo rumo a leste, em direção à Florida. Navegamos 40 milhas e fundeamos numa baia chamada Imgrams que fica na milha 164. A baia é grande e estávamos fundeados em 5 barcos. O solo de boa tença e a profundidade de 3 metros permitiu uma boa noite de sono.

Dia 18 seguimos caminho em direção a Panamá City e resolvemos pernoitar na Bay Point Marina que nos ofereceu um preço excelente de $ 0.90/pé com água e energia incluídos. O lugar, que fica na milha 289 é bonito, na verdade um grande resort com hotel, quadras de Golfe, piscina, trilhas, restaurantes e outros atrativos. Fica no Big Lagoon que a sua vez está a dez minutos de carro do centro de Panamá City.

Dia 19 nos separamos dos nossos amigos do Loopy Kiwi. Eles ficarão mais alguns dias enquanto nós seguimos adiante em direção a Apalachicola. Navegamos 50 milhas e entramos no canal de acesso à marina Port St Joe, pertencente ao mesmo grupo da marina anterior. Esse canal conecta a ICW até o Golfo e tem 5 milhas de extensão. Pernoitamos duas noites. Conhecemos a pequena cidade de Port St Joe.

Dia 21 saímos cedo para fazermos as 55 milhas até nosso fundeio em Dog Island que fica na costa de Carabelle, ponto de partida para nossa travessia à Tampa. No caminho passamos em Apalachicola e apesar de tudo fechado, pois era feriado de Thanksgiving, conseguimos que o dono do posto de combustível saísse de sua casa e viesse nos atender. Abastecemos com mais 130 gallons no tanque de reserva e seguimos mais 27 milhas até nosso fundeio. Temos que ressaltar que desde que chegamos a Mobile, há um verdadeiro desfile de tantos golfinhos a nos acompanhar em cada uma das pernas que fizemos. Neste fundeio em particular, eles ficaram nadando em volta do barco e fazendo estripulias por mais de 2 horas.

Dia 23 acordamos com o raiar do dia e levantamos ancora. Deixamos o fundeio e fomos em direção ao East Pass para entrarmos no Golfo propriamente dito. As condições do mar estavam excelentes para seguirmos rumo à baia de Tampa. A mínima extensão a se atravessar seria de 170 milhas se fossemos de Carabelle a Tarpon Springs. Neste trecho o mar e as possíveis entradas no continente ou são inexistentes ou impossíveis para barcos que calam mais de 2 pés. Optamos por ir direto a Tampa, pois já conhecemos todo essa orla quando viajamos de carro à pouco tempo atrás. A distância por nós percorrida foi de 230 milhas. Navegamos o dia inteiro e a noite até as quatro da manha. O mar estava muito calmo e o vento e as marolas entravam pela nossa alheta de boreste fazendo o JADE dar uma surfadas muito boas. Durante boa parte da navegação ficamos a mais de 50 milhas do continente o que limitou nosso acesso ao celular e a internet. Chegamos ao canal de acesso a baia e porto de Tampa por volta das 2 horas da manha. Este canal é muito bem balizado e o radar detectava bem as boias de acesso. Ele é longo e até a boca de entrada da baia temos 5 milhas. Apesar de ser um horário de coruja, o trafego ao porto estava intenso e cruzamos com dois navios de passageiros e três cargueiros em pleno canal. Não é fácil cruzar com esses monstro pois eles levantam marolas muito grandes e no escuro da noite você só se dá conta quando elas estão encima. Sair do cana de acesso a noite, sem conhecer a região, nem pensar! As quatro da manha, chegamos na ilha que fica na entrada da grande baia de Tampa e optamos por jogar ferro e esperar até o clarear do dia para seguirmos as ultimas 25 milhas até a nossa marina e assim evitarmos de navegar nessa área desconhecida no transito e no escuro. As seis e meia seguimos o curso até nossa marina que fica duas milhas adentro do rio Alafia que a sua vez desemboca na baia. Em Tampa estaremos próximos a Disney e de todos os atrativos de Orlando e região. Vamos subir o JADE numa marina onde o deixaremos o mês de dezembro. Na Inter Marina podemos fazer nossos próprios reparos sem ter que contratar os da marina. Lá prepararemos o barco para o próximo período que pretendemos começar em Janeiro. Revisão de extintores, da balsa de salvatagem, da pintura de fundo, anodos, etc. Em janeiro, desceremos até Fort Meyers, atravessaremos o Lago Ocktchobee até a costa leste e, chegaremos a Stuart donde vamos a Palm Springs. Dali, partiremos rumo a Bahamas.